Para que os pensamentos não se percam no éter, e o fumo do pensamento não ande por aí espalhado.

28 agosto 2014

Água desperdiçada

Não ponho em causa a nobreza por detrás dos banhos de água gelada das personalidades públicas ou menos públicas, em favor de instituições que sobrevivem a muito custo à base de donativos escassos, como será o caso da APELA ou do equivalente dos restantes países.

Aposto com cada um de vocês que:

1 – A maior parte das pessoas que toma a água gelada, sem contar com as personalidades públicas que terão mais alguma responsabilidade social, e mesmo assim, tenho dúvidas, gosta do protagonismo e não quer saber minimamente de donativos para esta ou outra qualquer instituição.

2 – A APELA teria recebido muito mais donativos se em vez de, ou conjuntamente com, os banhos de água gelada fosse feito REALMENTE um donativo.

3 – Não vejo ninguém preocupado com o problema da escassez de água no mundo, o flagelo da fome, a epidemia da SIDA, ou com qualquer outra grande necessidade mundial. Talvez porque não dê o protagonismo nas redes sociais que as pessoas “precisam”.

Se a Esclerose Lateral Amiotrófica é uma doença que afecta cerca de 1 milhão de pessoas em todo o mundo, a escassez de água potável como a que é usada nos banhos de água gelada, afecta cerca de 1 bilião, ou seja mil vezes mais.

Querem ser uns verdadeiros heróis? Façam o donativo monetário para a APELA, que precisa bem mais dele do que cada um de nós do protagonismo efémero dos banhos de água gelada.

05 agosto 2014

A espera pelo Comboio

- Sabe-me dizer alguma coisa do Alfa que vem de Braga? – pergunto eu ao funcionário da Refer.

- Está atrasado e é para durar. Houve um colhimento.

“Colhimento!”, pensei eu. Apesar de saber o que quer dizer na gíria comboística, e não é nada boa coisa, pensei para comigo que tal como as pessoas colhem fruta, os comboios colhem… pessoas.

Pois foi isso que aconteceu e que provocou um atraso de 2h33 no Alfa Pendular das 20h47, o último que sai da Campanhã para Lisboa.

Não sabendo se foi acidente nalgum apeadeiro, ou alguém com vontade de mostrar que era o maior da sua aldeia contra o maquinista do Alfa, o que é certo é que só cheguei a Lisboa por volta das 2h10.

Viajei de Alfa, cuja viagem deve durar 2h20, mas demorou mesmo assim 3h, o mesmo que um Inter-cidades, e se contar com o tempo de espera foram 5h33, que é sensivelmente o mesmo que um Inter-regional.

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28 julho 2014

O passeio de Domingo

Talvez por pertencer ao grupo dos pais babados, que tenho uma maior propensão para observar casais e pais singulares com os filhos nos vários locais por onde passo.

O que reparei no passado Domingo, num Centro Comercial da zona do Porto, é que parece que todos os pais decidiram levar os filhos até lá! Talvez por o tempo não ter ajudado a ir para a praia, ou simplesmente porque assim estão num ambiente mais controlado.

Seja como for, vi demasiada gente no Centro Comercial, e muitas e muitas crianças. Será apenas o olhar mais apurado para me aperceber delas?

04 julho 2014

E porque os doces…

…também trazem felicidade, no meu aniversário o bolo de comemoração foi feito por mim mesmo, e tinha este aspecto delicioso:

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Um maravilhoso bolo de chocolate, com uma receita de brownies por ser muito fácil de fazer, com dupla cobertura: caramelo salgado e chocolate soft.

Devo dizer que foi a primeira vez que fiz caramelo, e só à segunda tentativa é que consegui produzir um resultado utilizável. Terei de fazer mais vezes para aperfeiçoar esta iguaria, que apesar de tudo fez as delícias de que o provou.

O 1º aniversário

Eis que após 36 Primaveras (ou Verões, que eu prefiro), a 37ª é especial. Não pela data em si, ou pelo número, que me aproxima mais dos 40 anos que dos 30, e na realidade, por mais jovem que o espírito seja, o corpo não pensa da mesma maneira.

Na realidade foi o meu primeiro aniversário como Pai. E foi passado inteiramente com essa função: Pai. Tirei o dia de férias, e resolvi passar o dia inteiramente dedicado ao júnior, que agora com 9 meses tem outra percepção do mundo que o rodeia, e interage de forma cada vez mais expressiva com ele.

E foi o melhor presente que pude ter neste dia, o passar o tempo com quem mais amo, dando-lhe sempre o melhor de mim.

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02 julho 2014

O Mundial do Hemisfério Sul

Dizem as estatísticas que quando o Mundial de Futebol se joga no hemisfério sul do planeta, o vencedor nunca é Europeu. Esta regra teve a sua excepção em 2010, em que a Espanha venceu na África do Sul. Curiosamente, e suportando as estatísticas, as equipas europeias levaram uma grande tareia, incluindo a então campeã do mundo Espanha e a nossa des-selecção Portugal.

Das que sobram nos quartos-de-final estão a crónica Alemanha, sempre candidata a ganhar qualquer prova de selecções, a Holanda, uma surpresa França, que mesmo sem a sua vedeta maior tem mostrado argumentos, e a estrela Bélgica. Mesmo assim, são metade das 8 selecções ainda em jogo, e se contarmos que nas outras estão o Brasil e a Argentina, então o Mundial não tem sido assim tão mau para as selecções europeias.

Mais importante tem sido a qualidade dos jogos disputados, quase sempre até ao último minuto de prolongamento. Quem estava à espera dos típicos jogos chatos de deixar passar o tempo, salvo raras excepções, tem ficado boquiaberto. Os jogos têm emoção, os guarda-redes das selecções teoricamente mais fracas têm-se exibido como nunca, e nenhuma selecção tem a questão arrumada a 10 minutos do fim, pois até aos descontos tudo pode acontecer.

O único senão desta emoção toda, é que pelo menos metade dos jogos são às 17h portuguesas, o que para quem trabalha não é muito agradável.

16 abril 2014

3 meses depois…

… do último post que escrevi no blog, quase que dei o mesmo por falecido. Isto de criar um filho que nos ocupa grande parte do tempo deixa pouca folga para escrever o que quer que seja.

Mas nestes 3 meses muita coisa aconteceu. Assim resumido, a criança cresceu uns bons centímetros e aumentou umas gramas valentes, interage muito mais, deixou para trás as cólicas e a maior parte dos bolsares, deixou de caber na alcofa e passou a dormir na cama de grades, sorri para o pai pelo Skype, puxa cabelos, come sopa e papas, e acima de tudo é uma alegria e o orgulho cada vez maior dos papás, que não param de se babar para ele e com ele.

Foram uns meses cheios de emoção!

15 janeiro 2014

Rotinas

Desde que o Luís nasceu que se perderam muitas actividades. Sair com os amigos, jantar fora ou ir ao cinema, são apenas alguns exemplos do que foi deixado praticamente para trás, salvo algumas excepções, consequência da nova situação familiar.

A rotina passa agora por acordar depois do que se espera uma noite mais ou menos bem dormida, trocar a fralda, dar de mamar, brincar, por a dormir, acordar, trocar a fralda, dar de mamar, brincar, pegar ao colo, tentar almoçar (algumas vezes juntos), trocar a fralda, dar de mamar, brincar, tentar adormecer, deitar, levantar depois de uma valente berraria, trocar a fralda, dar de mamar, pegar ao colo, tentar adormecer, berrar com sono, atormentar o juízo aos pais, trocar a fralda, dar de mamar, tentar jantar (algumas vezes juntos), trocar a fralda, dar de mamar, deitar, levantar aos berros, adormecer no colo, deitar e finalmente, deixar os pais descansar.

Enfim, não se pode dizer que os dias sejam monótonos.

30 dezembro 2013

Têm reparado…

…que este blog tem andado muito discreto? Ou seja, os artigos são publicados muito menos frequentemente do que eram? Há uma razão muito simples para isso. Chama-se Luís Afonso, e o mesmo ocupa quase todo o tempo livre, tanto do pai como da mãe.

Agora que ele está mais crescido, esperam os pais, já depois da fase das cólicas, pode ser que as coisas mudem. Mas pelas experiências de outros pais que vamos ouvindo por aí, temos algumas dúvidas que fique mais calmo. Pelo que temos sentido, a tendência é mesmo piorar.

Mas posso dizer que nos primeiros três meses de vida, a experiência tem sido muito boa. Estamos ansiosos pelos próximos meses.

27 outubro 2013

O Arroto

Há certos pormenores culturais que nos impedem de exprimir os nossos desejos. Ao contrário de certas culturas mais orientais, em que arrotar após uma refeição é quase obrigatório, em sinal de satisfação, na nossa cultura mais ocidental é visto como uma grande javardice e falta de respeito. Excepto quando somos bebés.

Quando somos bebés, não interessa qual a cultura onde somos criados. É praticamente obrigatório arrotar. Para que os pais não entrem em maluqueira compulsiva com os sucessivos bolsares. Arrotar é sinal que após a refeição, o bebé vai ficar mais descansado, com menos dores intestinais e chorar menos.

E há que dizê-lo, enquanto somos bebés, quase tudo é permitido, porque somos uns queridos e uns fofos. Mesmo algo que conforme vamos crescendo passa a ser socialmente condenável. Ou seja, a vida fica cada vez mais injusta.