Para que os pensamentos não se percam no éter, e o fumo do pensamento não ande por aí espalhado.

04 julho 2014

O 1º aniversário

Eis que após 36 Primaveras (ou Verões, que eu prefiro), a 37ª é especial. Não pela data em si, ou pelo número, que me aproxima mais dos 40 anos que dos 30, e na realidade, por mais jovem que o espírito seja, o corpo não pensa da mesma maneira.

Na realidade foi o meu primeiro aniversário como Pai. E foi passado inteiramente com essa função: Pai. Tirei o dia de férias, e resolvi passar o dia inteiramente dedicado ao júnior, que agora com 9 meses tem outra percepção do mundo que o rodeia, e interage de forma cada vez mais expressiva com ele.

E foi o melhor presente que pude ter neste dia, o passar o tempo com quem mais amo, dando-lhe sempre o melhor de mim.

IMG_3365

02 julho 2014

O Mundial do Hemisfério Sul

Dizem as estatísticas que quando o Mundial de Futebol se joga no hemisfério sul do planeta, o vencedor nunca é Europeu. Esta regra teve a sua excepção em 2010, em que a Espanha venceu na África do Sul. Curiosamente, e suportando as estatísticas, as equipas europeias levaram uma grande tareia, incluindo a então campeã do mundo Espanha e a nossa des-selecção Portugal.

Das que sobram nos quartos-de-final estão a crónica Alemanha, sempre candidata a ganhar qualquer prova de selecções, a Holanda, uma surpresa França, que mesmo sem a sua vedeta maior tem mostrado argumentos, e a estrela Bélgica. Mesmo assim, são metade das 8 selecções ainda em jogo, e se contarmos que nas outras estão o Brasil e a Argentina, então o Mundial não tem sido assim tão mau para as selecções europeias.

Mais importante tem sido a qualidade dos jogos disputados, quase sempre até ao último minuto de prolongamento. Quem estava à espera dos típicos jogos chatos de deixar passar o tempo, salvo raras excepções, tem ficado boquiaberto. Os jogos têm emoção, os guarda-redes das selecções teoricamente mais fracas têm-se exibido como nunca, e nenhuma selecção tem a questão arrumada a 10 minutos do fim, pois até aos descontos tudo pode acontecer.

O único senão desta emoção toda, é que pelo menos metade dos jogos são às 17h portuguesas, o que para quem trabalha não é muito agradável.

16 abril 2014

3 meses depois…

… do último post que escrevi no blog, quase que dei o mesmo por falecido. Isto de criar um filho que nos ocupa grande parte do tempo deixa pouca folga para escrever o que quer que seja.

Mas nestes 3 meses muita coisa aconteceu. Assim resumido, a criança cresceu uns bons centímetros e aumentou umas gramas valentes, interage muito mais, deixou para trás as cólicas e a maior parte dos bolsares, deixou de caber na alcofa e passou a dormir na cama de grades, sorri para o pai pelo Skype, puxa cabelos, come sopa e papas, e acima de tudo é uma alegria e o orgulho cada vez maior dos papás, que não param de se babar para ele e com ele.

Foram uns meses cheios de emoção!

15 janeiro 2014

Rotinas

Desde que o Luís nasceu que se perderam muitas actividades. Sair com os amigos, jantar fora ou ir ao cinema, são apenas alguns exemplos do que foi deixado praticamente para trás, salvo algumas excepções, consequência da nova situação familiar.

A rotina passa agora por acordar depois do que se espera uma noite mais ou menos bem dormida, trocar a fralda, dar de mamar, brincar, por a dormir, acordar, trocar a fralda, dar de mamar, brincar, pegar ao colo, tentar almoçar (algumas vezes juntos), trocar a fralda, dar de mamar, brincar, tentar adormecer, deitar, levantar depois de uma valente berraria, trocar a fralda, dar de mamar, pegar ao colo, tentar adormecer, berrar com sono, atormentar o juízo aos pais, trocar a fralda, dar de mamar, tentar jantar (algumas vezes juntos), trocar a fralda, dar de mamar, deitar, levantar aos berros, adormecer no colo, deitar e finalmente, deixar os pais descansar.

Enfim, não se pode dizer que os dias sejam monótonos.

30 dezembro 2013

Têm reparado…

…que este blog tem andado muito discreto? Ou seja, os artigos são publicados muito menos frequentemente do que eram? Há uma razão muito simples para isso. Chama-se Luís Afonso, e o mesmo ocupa quase todo o tempo livre, tanto do pai como da mãe.

Agora que ele está mais crescido, esperam os pais, já depois da fase das cólicas, pode ser que as coisas mudem. Mas pelas experiências de outros pais que vamos ouvindo por aí, temos algumas dúvidas que fique mais calmo. Pelo que temos sentido, a tendência é mesmo piorar.

Mas posso dizer que nos primeiros três meses de vida, a experiência tem sido muito boa. Estamos ansiosos pelos próximos meses.

27 outubro 2013

O Arroto

Há certos pormenores culturais que nos impedem de exprimir os nossos desejos. Ao contrário de certas culturas mais orientais, em que arrotar após uma refeição é quase obrigatório, em sinal de satisfação, na nossa cultura mais ocidental é visto como uma grande javardice e falta de respeito. Excepto quando somos bebés.

Quando somos bebés, não interessa qual a cultura onde somos criados. É praticamente obrigatório arrotar. Para que os pais não entrem em maluqueira compulsiva com os sucessivos bolsares. Arrotar é sinal que após a refeição, o bebé vai ficar mais descansado, com menos dores intestinais e chorar menos.

E há que dizê-lo, enquanto somos bebés, quase tudo é permitido, porque somos uns queridos e uns fofos. Mesmo algo que conforme vamos crescendo passa a ser socialmente condenável. Ou seja, a vida fica cada vez mais injusta.

21 outubro 2013

O bolsar

A rotina diária de cuidar do júnior inclui trocar fraldas, mimá-lo (um momento sempre agradável também para os pais que se sentem ainda mais babados) e dar-lhe de comer. Após o comer, é necessário esperar um pouco até que saia um arrote daqueles que enchem um homem de orgulho, antes de o deitar.

Só que é rotina também habitual do júnior, bolsar o leite. E os momentos não têm aviso, podendo acontecer em qualquer momento. E o júnior escolhe precisamente os melhores momentos. Aqueles em que acabamos de colocar um lençol novo na cama, ou em que estamos com uma roupa lavada acabada de vestir antes de sair de casa.

Parece que revira os olhos e a cabeça para ambos os lados na tentativa de verificar o que está mais limpo. Só para poder marcar os seu território com uma bolsadela, dizendo com um sorriso de satisfação: isto é meu.

10 outubro 2013

E na terceira semana de vida…

… começam as cólicas! E o problema é maior porque ninguém sabe exactamente o que são as “cólicas”. O bebé chora, mas não tem fome, nem frio, nem calor, nem dores, nem febre, nem cocó, nem gases, nem está preso, tem mimos… e mesmo assim chora até ficar em apneia, de forma interminável e durante o tempo suficiente para os pais pensarem em saltar da varanda do 5º andar. Como não se consegue explicar do que se trata, então são cólicas!

Apesar de não se saber o que são nem como são originadas (há muitas teorias por aí, se calhar é uma mistura de todas elas), sabe-se que começam na 3ª semana de vida, duram até 3 horas de choro, acontecem pelo menos 3 vezes por semana, e terminam por volta dos 3 meses. São as regras dos “quatro três”, como os pediatras lhe chamam.

O que quer dizer que ainda vamos ter de o ouvir chorar muito sem qualquer razão durante bastante mais tempo…

02 outubro 2013

Cocó a jacto!

O meu filho, todos quantos o veem, acham que tem o nariz da mãe, mas o restante do rosto sai ao pai (sim, estou a babar-me). Pois nesta altura já deu para ver que também no trato intestinal sai ao pai, pois não sente dificuldade nenhuma em fazer cocó.

E além do cocó consegue mandar umas bufas bastante audíveis, usando inclusive uma adorável expressão de felicidade e alívio, que deixam o pai cheio de orgulho!

Uma destas noites, enquanto o pai lhe trocava a fralda, por sinal limpa, resolveu dar um ar da sua graça. Geralmente quando são meninos, como é o caso, acontece o descontrole do pirilau que resolve marcar território aleatoriamente para onde está virado. Não foi o caso. No caso o que saiu foi mesmo uma bufa audível, com a sua expressão de felicidade e alívio, mas acompanhada de um jacto poderoso de cocó, que resolveu sujar o resguardo do muda fraldas, e deixar as marcas na roupa do pai.

Escusado será dizer que após o orgulho, o pai caiu na realidade de que irá ter que passar por momentos semelhantes muitas vezes. Veremos se o orgulho se mantém.

01 outubro 2013

Sobrevivi à primeira semana de paternidade!

Quando converso com amigos sobre os sues filhos e como passaram as primeiras semanas, é bastante normal ouvir experiências que me deixariam logo com medo de ser pai, e até de optar pela adopção de uma criança já crescida para evitar estes primeiros tempos que fazem tanta gente queixar-se.

Que as crianças nesta altura só comem, dormem e fazem xixi e cocó, já se sabe. Nada de anormal, e é o esperado. Ouvir os pais queixarem-se que não dormem nada, que são tempos muito maus, etc., fazem-me perguntar, então porque é que se tem filhos?

No meu caso não me posso queixar muito. É difícil, mas como tudo na vida, nada que não se faça. É preciso algum cuidado na interacção com a criança, mas não é necessário tratá-la como se de um objecto de porcelana raríssima se tratasse. Requer essencialmente uma grande habituação às novas rotinas da casa, que são impostas por ele. É tão pequeno, e consegue deixar dois adultos completamente de rastos durante o dia.

Mas pegar nele e sentir que é realmente um ser tão frágil e inocente, encostá-lo ao coração e olhar para ele na sua paz de anjo enquanto dorme, é um prazer que supera qualquer dificuldade que se sinta. E são esses pequenos prazeres que nos dão a energia para continuar na rotina por ele imposta. Porque ele merece.