Para que os pensamentos não se percam no éter, e o fumo do pensamento não ande por aí espalhado.

02 setembro 2013

A Constituição da Discórdia

Muito tenho lido sobre a decisão do Tribunal Constitucional relativamente à lei da mobilidade. Há a fação a favor da decisão (e consequentemente opositora da lei e essencialmente do Governo) e a fação contra a decisão. Mas o que mais me intriga nestes dois lados da fação é sentir que a própria Constituição da República Portuguesa, outrora apelidada de “a mais completa do mundo” (sabe-se lá o que quer dizer o “completa”), está a dividir os portugueses.

A Constituição deve servir de base para as leis de qualquer Estado Democrático. Deve definir princípios de liberdade e igualdade para todos. Mas chegados a um ponto em que metade dos portugueses acham que só atrapalha o país, não estaria na altura de rever essa mesma Constituição para que fosse de novo a Constituição de todos os portugueses?

Não devemos esquecer em que altura é que a mesma foi escrita, num período pós-ditadura, em que o povo estava ébrio da liberdade conquistada. Os ideais estão todos lá, é verdade, e os princípios básicos devem sempre lá constar. Mas a época é outra, e é necessário evoluir. A evolução não é uma coisa má, foi à custa dela que deixámos de ser quadrúpedes.

Dada a sua “completude”, pergunto-me se alguém, além dos juízes do palácio Raton, que o fazem por obrigação, já alguma vez leu a Constituição. Julgo que a mesma deveria ser simples o suficiente para todos a saberem de cor. E quem sabe se assim, ainda seria preciso um Tribunal para analisar a Constituição.

01 setembro 2013

Fotos digitais de antigamente

O despertar da fotografia digital, e principalmente o constante baixar de preço dos equipamentos, levou a que haja um boom de pseudo-fotógrafos. Toda a gente é fotógrafo, toda a gente tem milhares de fotografias digitais, centenas publicadas em serviços online, incluindo no Facebook, e alguns até se aventuram a fazer serviços como profissionais, depois resultando em grandes barretes.

Não me faz confusão nenhuma, que até sou bastante dado a inovação tecnológica. Tenho igualmente câmaras digitais (mais que uma) e alguns acessórios extra, que fui adquirindo ao longo do tempo. Ao longo deste tempo tenho a noção que não quero nem tenho pretensões de ser um fotógrafo profissional, mas isso não me impede de querer aprender sempre mais qualquer coisa e melhorar tanto o olhar como a técnica.

Aquilo que me faz confusão é a a profusão de fotografias, bastantes tiradas sabe-se lá com que equipamento topo de gama, com sensores que fantásticos a captar a cor e a luz, e que depois são transformadas em fotos super-saturadas do instagram, ou deslavadas de cor por um efeito qualquer, ou imitações autênticas de polaroids, com a sua gama de cores limitadas.

Pergunto eu, se é para isso, para que querem o material topo de gama?

25 agosto 2013

A Gaiola Dourada

O filme do filho de emigrantes em França, Ruben Pinto, já é o mais visto de sempre do cinema, vá lá, português. Criando as personagens como uma homenagem aos seus próprios pais, também eles uma porteira e um trabalhador das obras, o realizador conseguiu com uma história simples e bem humorada receber todos os elogios.

Isto prova que para o cinema ser bom não é necessário realizações de planos estáticos demorados, histórias em que é preciso tirar um curso de literatura para perceber o mínimo de significado, nem exibir o filme à porta fechada para meia dúzia de espectadores.

O cinema português pode e deve ser tão bom quanto os restantes, sem ser itelectualóide, chato ou exclusivo para minorias. Porque afinal de contas, quem o deve pagar é o espectador e não o contribuinte.

A Gaiola Dourada–offical trailer

31 julho 2013

Liberdade, mas com limites…

Para os mais esquecidos, e isto já não é do meu tempo, mas houve uma altura em Portugal em que para dizer o que se pensava tinha de ser às escondidas, bem longe dos olhares mais observadores e inquisidores, ou então simplesmente não dizer nada, para não haver problemas de qualquer espécie. Depois veio o 25 de Abril e foi uma maravilha, liberdade, incluindo a de expressão, para todos.

Até aos dias de hoje.

Parece que voltámos aos tempos inquisidores de há 40 anos. Se na altura, como em qualquer altura, era necessário medir muito bem o que se dizia, para não ser preso ou ostracizado pela polícia política, hoje, tem de se ter igualmente o mesmo cuidado para não ser publicamente linchado.

Em todas as épocas, e de todas as pessoas, há as opiniões interessantes, as simplesmente estúpidas, passando pelas descabidas e até por aquelas que, no seu devido contexto, devem simplesmente ser desprezadas, já que dar-lhes mais que isso é torná-las mais importantes que aquilo que são.

Mas o povo, pelo menos algum, anda melindrado. Curiosamente, aqueles que mais apregoam os valores de Abril, são precisamente aqueles que mais depressa tomam o lugar da frente no pelotão de linchamento.

Será que sou só eu que noto aqui uma certa ironia com uma ligeira dose de intolerância à mistura?

26 julho 2013

Um Papa irresponsável?

Não posso negar que gosto de ouvir o Papa Francisco. Gosto das suas palavras sábias (e pensadas). Gosto do seu visual mais terreno e menos divino. Gosto da sua atitude e da sua vontade de estar sempre junto dos fiéis. Mas há algo que me causa algum desconforto.

Apesar de querer ser sempre terreno, próximo, bem à maneira dos Jesuítas, o Papa Francisco não pode deixar de se lembrar que é o Papa. E sendo Papa, por mais que queira continuar a sua vida de forma normal, não será possível. Porque onde quer que vá, multidões o seguirão, não apenas para o ouvir, mas para estar bem próximo dele. E quando alguém muito famoso e importante vai a algum lugar muito povoada, como a rua principal de Copacabana, tem de estar preparado para isso.

Aparecer de surpresa num carro normal no meio do trânsito citadino e parado num cruzamento, faz com que multidões se aglomerem o mais próximo possível para obter um sorriso, uma foto, um toque ou uma palavra. E aglomerados de gente levam à desgraça de alguns, entre esmagamentos e pisadelas, que por pura sorte não aconteceu naquele cenário.

Quero que Francisco continue a ser terreno como é. Mas essencialmente quero que seja Papa.

02 julho 2013

A culpa foi do Excel

Ao fim de 741 dias, e para agrado de muitos (mesmo assim muito menos que eu imaginava, dada a quantidade de opiniões que tenho lido) eis que Vítor Gaspar se demite.

Sempre pensei que ele estava no Governo para dar a cara pelas coisas “más”, enquanto que os restantes ministros trabalhavam sem qualquer perturbação por parte da opinião pública, dos sedentos de poder e de votos partidos da oposição, e dos sanguinários media. Mas parece que a sua paciência chegou ao fim, ainda antes da nossa. A minha, no lugar dele, já teria esgotado há muito muito tempo.

Um bom exemplo foi a TSU, que toda a gente criticou quando foi proposta, mas que passados uns meses já se tinham arrependido. Pelo meio uma fórmula do Excel mal feita no resgate da Troika (malvada Microsoft, a querer enganar-nos!) acabou por ser o bode expiatório e o motivo de gozo de todos.

Paulo Portas acaba também ele por ser promovido, pois passa a nº2 do Governo. Nunca engoliu muito bem o facto de ser apenas nº3, e passava todo o tempo a dar uma cravo outra na ferradura, com birra de menino mimado, servindo-se de Vítor Gaspar como saco de pancada. Em quem vai bater agora, já que, dizem as regras, que não se bate em senhoras?

No meio disto tudo, até pode haver quem fique contente com a saída de Vítor Gaspar, e admito que tem razões para isso, mas reduzir os problemas que o país tem ao ex-ministro das finanças, é tentar branquear todo um país que advoga direitos de conquista democrática, sem nunca se referir aos deveres necessários de cumprir para atingir esses direitos. Quem tenta alterar os direitos para endireitar este burgo, tem morrido sempre a caminho, seja de um desastre de avião ou de cansaço e desgaste, como foi o caso.

30 junho 2013

Um mundo totalmente novo

A chegada de uma nova vida nos próximos meses leva-nos a que neste período que falta a conhecer o mundo totalmente novo das lojas de bebés e das secções de bebé das grandes superfícies.

E devo dizer que a indústria não anda a brincar em serviço. Apoiada primeiro pela legislação de segurança para a circulação rodoviária, e depois por um marketing muito agressivo que puxa ao sentimento de protecção e de mimo dos pais, há toda uma panóplia de utensílios e acessórios para bebé que nunca imaginei que houvesse. Nem quando andava a procurar presentes para os filhos dos amigos.

A incursão neste mundo novo implica uma absorção de informação que deixa os olhos enevoados e os neurónios em curto-circuito. Ele é cadeiras (Grupo 0+, Grupo 1, Grupo 2 e 3) babycocks, mais conhecidas por ovo, cadeira de passeio, armações, alcofas, berços, camas de grades, quartos de bebé, cómodas, com banheira, sem banheira, com tocador, sem tocador, bolsa marsupial, chupetas, biberões, intercomunicadores, toda uma gama de roupa em tons de rosa ou de azul bebé… isto só as coisas e termos mais comuns. Imaginem a quantidade de coisas “menos comuns” que há… Quase que dá para perguntar, como é que nós nos criámos sem isso!

Suponho que todos os pais passam por isto mais cedo ou mais tarde, principalmente quando a falta de experiência assim o obriga. Parece, pois, que também chegou a minha vez.

17 junho 2013

A realização de um Homem

Diz a gíria popular que um Homem precisa de 3 coisas para se sentir verdadeiramente realizado: plantar uma árvore, escrever um livro e fazer um filho.

Posso dizer que ao longo da minha vida já plantei várias árvores, provavelmente algumas por acidente. Portanto, está feito.

Considerando que escrevo os meus diários de viagem já de há vários anos para cá, e mais recentemente este blog, apesar de ser um “livro” digital, considero que esta tarefa também está feita.

E para culminar da realização, aquela que me deixa mais feliz é sem dúvida saber que a família vai crescer, com a descendência directa. Por isso, posso-me considerar um Homem realizado!

05 junho 2013

Peseiro, Heynckes ou Ferguson?

O Benfica renovou com Jorge Jesus. Após os desastres mais ou menos azarados do final da época, ficou periclitante a posição do técnico dentro do Benfica, e até mesmo dentro do balneário. Bastou ver a falta de respeito do Cardozo, mesmo sabendo-se que os sul-americanos têm sangue nas ventas.

Foi um final de época em que os invejosos da segunda circular e os enteados do sistema do norte compararam JJ a José Peseiro, aquando da sua passagem pelo Sporting em 2005. Nesse ano, também o Sporting esteve quase a ganhar tudo, e acabou por tudo perder.

Eu prefiro pensar no JJ como a versão benfiquista de Jupp Heynckes. No ano passado, Heynckes e o seu Bayern de Munique esteve quase a ganhar tudo, e tudo acabou por perder no fim. E este ano, mantendo a mesma estrutura directiva e técnica, esse mesmo treinador e essa mesma equipa limpou tudo o que havia, incluindo uma Liga dos Campeões em que empurrou o Barcelona para a terra. Tenho esperança que a continuidade de JJ, que além de colocar o Benfica a jogar um futebol atractivo, o leve a aprender com os próprios erros, e leve o Benfica aos títulos que merece. E quem sabe, transformar-se na versão portuguesa de Alex Ferguson, recordista mundial de permanência como técnico de um clube de futebol (não esquecendo Paco Fortes, tantos anos à frente do Farense, enquanto este existiu).

03 junho 2013

Windows Phone

Na empresa onde trabalho, foi-me atribuído um telemóvel. Entre dois ou três modelos disponíveis, escolhi o Nokia Lumia 710, que traz como sistema operativo o Windows Phone.

Depois de ter experimentado Symbiam, mesmo nas versões mais recentes, de conhecer o iPhone e até o recomendar a muita gente, e de ser utilizador profundo de Android, faltava-me o Windows no Curriculum.

E devo dizer, que ao contrário do que muita gente pressupõe, o telemóvel é rápido e não mostra ecrãs azuis. Apresenta os menus de forma simples. Já ouvi críticas que apenas tem dois desktops, quando no Android ou no iOS se podem ter bastantes. Mas ao contrário dos anteriores, esses desktops do Windows deslizam na vertical, por isso não creio que haja diferença. Um dos desktops é o menu iniciar, à semelhança do que vemos no Windows 8, o outro desktop é a lista ordenada alfabeticamente de todas as aplicações instaladas.

O telemóvel é rápido a responder, a qualidade de construção é boa (é um Nokia, para todos os efeitos), a câmara é muito aceitável, e aqui admito que o iPhone bate qualquer outro aos pontos, e claro que tem as suas limitações, e que requer habituação, tal como todos os outros. Só não percebo porque raio é a malta tão avessa a habituar-se a um Windows Phone, mas num iPhone ou num Android já estão disponíveis para perder algum tempo para o fazer. Mais uma vez, preconceitos.

A grande falha é de facto a quantidade de aplicações disponíveis. Mesmo com o mercado da Nokia juntamente com o do Windows, a quantidade de opções de aplicações disponíveis, mesmo pagas, fica muito aquém dos outros sistemas.

Para que o Windows Phone consiga vingar no mercado, é essencial que a Microsoft invista no desenvolvimento de aplicações. Hoje, se eu fosse comprar um telemóvel, não iria comprar um Windows Phone simplesmente por ser limitado no número de aplicações. Porque em tudo o resto, estou convencido.