Para que os pensamentos não se percam no éter, e o fumo do pensamento não ande por aí espalhado.

04 maio 2012

Encomendas online – parte III, o final épico

E cerca de duas semanas e meia depois da encomenda feita, ela chegou mesmo a casa. Entregue pela Chronopost, depois de muita insistência e perseverança para que chegasse a tempo e horas. E apesar do stress do atraso, de facto chegou a horas.

Mas quando tudo parecia bem, eis que ao abrir a encomenda, um dos itens era diferente do que tinha encomendado. Na prática não é nada de preocupante já que são 100% compatíveis. A única questão é que estes custam metade do preço dos outros, logo, a mesma loja que se enganou no endereço também me estava a ir ao bolso.

Após enviar um e-mail a pedir justificação, eles respondem indicando que foi um erro da parte deles e que me vão devolver, uma fortuna, imagine-se, 5 libras. Apesar de me continuarem a ir ao bolso, já que 5 libras é apenas a diferença de um dos itens (e eu encomendei 5), deixo passar a situação que já estou farto destes caramelos.

E no rescaldo da aventura, não se livraram do feedback negativo que lhes dei e dos comentários nada abonatórios que escrevi na opinião sobre o vendedor. Estes comentários e feedback ficam disponíveis para os próximos clientes da Amazon, que na altura podem ou não decidir por esta loja. A minha parte ficou feita, e a encomenda pronta a usar, que é o que me interessa.

03 maio 2012

O Centro de Emprego tem uma proposta

Confesso que não estava à espera de chegar a Maio e ainda não ter emprego. Não se trata, de todo, de desespero, até porque as entrevistas têm sido mais que muitas. Mas por uma razão ou por outra, essencialmente porque os ordenados estão extremamente baixos, mas isso será outra discussão, ainda não tive propostas concretas.

E como se não bastasse a minha vida super agitada nesta altura, a uma semana do grande evento, o Centro de Emprego de Leiria envia-me uma carta requerendo a minha presença, para a apresentação de uma proposta de emprego. Isto sim é novidade, que não estava mesmo à espera que o Centro de Emprego me arranjasse algo.

Bom, como sou obrigado a comparecer a não ser que esteja em estado vegetativo num hospital qualquer, lá vou eu desde Lisboa (que era onde eu estava) para comparecer no Centro de Emprego.

Após o normal tempo de espera para ser chamado ao andar de cima, lá sou entrevistado por uma cara conhecida, que me diz que a proposta é para a Nokia-Siemens em Alfragide, mas que não têm mais nenhuma informação.

- Mas mais nada? Nem o ordenado, nem as qualidades técnicas ou pessoais, certificações necessárias ou disponibilidade?

- Lamento, mas não tenho mesmo mais nada. Mas não é obrigado a aceitar.

- Assim é difícil. Isto pode-se revelar uma perda de tempo tanto para mim como para a Nokia-Siemens. Mas como eu quero trabalhar e não nego uma proposta que desconheço, vamos então avançar.

Depois de preencher os meus dados numa tabela que há-de seguir para Coimbra e depois para a Nokia-Siemens, fico a saber que o próximo passo partirá da empresa, que me há-de telefonar.

Com a sorte que tenho nestas coisas, irei receber o telefonema durante as minhas férias e enquanto estiver debaixo de água. Mas paciência, se estiverem mesmo interessados, hão-de insistir. Se não estiverem, não há problema, há mais quem esteja.

02 maio 2012

Encomendas online – parte II

Sabendo que a encomenda estava a caminho, fui pesquisando no site da transportadora o estado do pacote. Esta informação graças ao contacto com o fornecedor, que me forneceu o referido código de referência da transportadora para avaliar o percurso do pacote. Passou do Reino Unido para a Alemanha, e entrou em Portugal por Valongo.

A transportadora de origem não tem representação em Portugal. Assim, esta é representada pela Chronopost, que através do seu site permite fazer o tracking quase em tempo real do pacote. Permitiria, se:

  • Eu soubesse a referência da Chronopost (e não a da transportadora de origem)
  • O site funcionasse como deve de ser em vez de dar sempre erro na pesquisa.

Assim, resolvo contactar para o número de apoio da Chronopost para saber como anda a entrega.

Após 5 minutos a ouvir publicidade gratuita sobre os produtos Chronopost, sou finalmente atendido. Digo que espero uma encomenda que foi enviada do estrangeiro por outra transportadora, ao que me dizem que têm de transferir a chamada para a colega Margarida.

A chamada é transferida e sou atendido por outra pessoa. Digo novamente o que se passa, e dizem-me exatamente o mesmo, transferindo a chamada para a Margarida.

Novamente atendido por outra pessoa. Novamente explico o que pretendo. Novamente a chamada é transferida para a Margarida. E o telefone chama, chama, chama, e chama. Passados 25 minutos, desligo.

Volto a tentar novamente passado mais algum tempo, e desta vez, o percurso da chamada é novamente o mesmo, mas resolvo esperar menos tempo. Desligo ao fim de 10 minutos.

Deixo passar a hora de almoço e após o primeiro atendimento, a chamada é transferida para a Margarida. Enquanto o telefone chama, começo a duvidar se a Margarida não é um código qualquer para colocar os clientes em espera infinita até se fartarem de ter o telefone no ouvido. Até que finalmente sou atendido pela Margarida.

A Margarida faz-me então a pesquisa que preciso e diz-me que o pacote já está em Leiria para ser entregue. Ao confirmar a morada, reparo que se enganaram no número da porta (ah, então foi por isso que não conseguiram entregar, seus estúpidos!).  Corrijo a morada e forneço o meu número de telemóvel caso haja alguma dificuldade em entregar o pacote.

À hora que escrevo esta posta, a encomenda ainda não chegou. Segundo a última atualização, está em armazém em Leiria, e será entregue amanhã. A ver vamos, mas de manhã já podem contar com mais um telefonema para lhes moer o juízo. E fá-lo-ei até que se resolvam de facto a entregar a encomenda.

30 abril 2012

Outra vez, Jesus?

Ontem o meu Glorioso Benfica perdeu, novamente, o campeonato nacional de futebol para o FC Porto. E desta vez custou bastante mais que na época passada.

Ao contrário de clubes de bairro do Norte ou que jogam em estádios ladrilhados que quando perdem culpabilizam sempre alguma coisa, seja os túneis, os stewards, as cadeiras ou as gaiolas, nós os benfiquistas sabemos olhar para dentro. É possível que num ou noutro jogo tenhamos tido o azar de contar com um árbitro aziado, mas isso não explica como é que de 5 pontos de avanço se passa para 6 de atraso quase de repente.

Na época passada o FC Porto fez de facto uma época brilhante, e assim praticamente se perdoou ao Jorge Jesus os inúmeros pontos de atraso. Esta época, sem o efeito Villas-Boas e com um fantoche à frente da equipa tripeira, era esperado que as coisas corressem da melhor forma. E correram, até Fevereiro.

Parece que a equipa, a partir de Fevereiro, quebrou radicalmente os índices físicos. Mas foram ao Brasil desfilar em lantejoulas para ficarem assim? Ou então esta preparação física que é dada no início da época tem muito que se lhe diga, que não rende nada no longo prazo.

Jorge Jesus tem de deixar de ser casmurro e rodar mais a equipa quando os índices físicos começam a quebrar. Afinal, o plantel continuam a ser apenas 11 ou 12 jogadores e mais uns quantos para aquecer o banco?

Não sei se o Jorge Jesus fica mais uma época no Benfica ou não. Mas se ficar e se não ganha de novo o campeonato, acho que nunca mais irá voltar a entrar no estádio da Luz.

24 abril 2012

Encomendas online

Fiz uma encomenda online num site estrangeiro, como o faço muitas outras vezes. Até hoje, mais dia menos dia, as encomendas foram sempre entregues a tempo e horas. Mas desta vez não.

Como o pedido que fiz continha vários itens, recebi durante a mesma semana, os vários pacotes, todos eles oriundos do mesmo país. Todos? Não. Um irredutível pacote contendo algo que eu necessito para os próximos dias, teimava em não aparecer, mesmo depois do pedido de preenchimento do inquérito de satisfação do site.

Tentei averiguar o que se passava, usando os contactos disponíveis online, e vim a saber que o referido pacote estava a ser devolvido ao remetente, pois a transportadora não o conseguiu entregar.

Apesar da vontade do fornecedor em me devolver o dinheiro da compra, refutei, exigindo os itens novamente, uma vez que já que os comprei é mesmo porque preciso deles. Se não precisasse não os iria comprar. Ao que eles prontamente acederam ao meu pedido de reenvio por correio expresso para a mesma morada.

A alternativa que eu tinha era encomendar noutro site, noutro fornecedor, e esperar que o mesmo fosse entregue a tempo e horas. Vamos ver se chega dentro do prazo de uma semana que eu atribuí para que chegasse.

17 abril 2012

Dossier de competências

A maior parte das empresas que nesta altura do campeonato da crise contratam na área das Tecnologias da Informação são consultoras. Isto porque as grandes empresas não querem aumentar os seus quadros, devido às exigências de gastos, mas isso é outra história que brevemente poderei colocar noutra posta deste blog.

Eu não me importo de trabalhar para uma consultora. Na prática, trabalhamos sempre para um cliente final, só que quem nos paga é a consultora. Seja. Não me afeta esse tipo de serviço.

Para já devo dizer que o termo “consultor” está tão vago nos últimos tempos que evoluiu desde a pessoa que era consultada para prestar uma análise ou uma opinião, até à pessoa que implementa e que é escravizada pelo empregador. Um limpador de casas de banho pode, hoje em dia, ser chamado de consultor de higiene e limpeza, valha-nos alguém. Aposto que o Louçã iria gostar desta categoria profissional politicamente correta.

Agora, o que mais me aborrece com estas entrevistas nas consultoras, é que cada uma tem uma espécie de template para o Curriculum de cada um dos seus consultores. A isto chamam Dossier de Competências. Nome pomposo já tem. E para que serve? Não sei. Pelo menos serve para perder algum tempo a transpor a informação do CV naquele template que é exigido pelas consultoras.

O pior de tudo é que dentro das próprias consultoras, há vários templates. Já me aconteceu com o espaço de 3 meses ter de preencher de novo o template da mesma empresa porque já não era igual. Já para não falar no problema de comunicação interna que elas revelam em alguns casos. Mesmo sendo para áreas diferentes dentro da mesma empresa, as bases de dados de candidatos têm alguns problemas. Enfim, faz parte do trabalho de quem anda à procura de emprego.

13 abril 2012

Consulta do Viajante

Hoje voltei a ir a uma consulta do viajante. Ocorreu em Leiria, e até nem vou para nenhum país africano ultra perigoso, mas mais vale andar informado. E a coisa demorou a manhã toda.

Chegado às 9h ao Centro de Saúde dos Marrazes, é feita a inscrição de todos os que marcaram a consulta. No dia de hoje foram 10, faltaram 2, e eu era o número 9. Após tudo registado, hora da palestra comum com a Dr.ª Silva.

Não sei se estava relacionado com o facto da Dr.ª ter feito urgência de noite, ou se é mesmo assim o feitio dela, mas pareceu um pouco irritada, mas no entanto, com suficiente sentido de humor, dentro da seriedade possível, para me rir de vez em quando com a palestra. Esta foca-se muito nos países africanos, para onde viajavam a maior parte dos presentes, e desmistifica muitas ideias comuns das profilaxias da malária.

- Eu estou enjoada de ter trabalhado esta noite e estou aqui, não estou? Por isso, deixem de ser mariquinhas com o enjoo da profilaxia e tomem para vosso bem.

Foi apenas uma das muitas tiradas de humor da Dr.ª. Apesar de irritada, pareceu-me muito competente, e a própria não deixava passar a oportunidade de puxar dos galões dos seus 30 anos de medicina e 10 de consulta do viajante. A palestra é comum porque a maioria dos cuidados a ter neste tipo de viagens é igual independentemente do destino.

Depois da palestra, vêm as consultas individuais, a qual no meu caso ocorreu já passava do meio dia. Quando olhou para os marcadores da Hepatite A, virou-se para a enfermeira estagiária que lá estava a aprender:

- Este gajo só fez uma dose da vacina da Hepatite A!

- Esse gajo sou eu…

- Pois, você só fez uma dose da vacina. Vai fazer a outra hoje.

Querias sair daqui sem ser vacinado? Ora toma que já almoçaste.

- Vai para onde? Ah, vai laurear a pevide, ver as montras. Só precisa dessa dose da Hepatite A e pode ir descansado. Não faz profilaxia da malária que não é preciso para onde vai, mas tem de usar repelente na mesma.

Antes de sair, ainda mais uma pergunta com direito a humor:

- Dr.ª, na palestra falou que em caso de febre deve-se tomar sempre paracetamol e não os outros. Mas eu sou alérgico – digo-lhe eu.

Ao que entre o irritado e o surpreendido, responde:

- MAS QUEM É QUE O MANDA SER ALÉRGICO AO PARACETAMOL??????

- Não tenho culpa…

- Pois, quem não tem pão, come broa. Qual é que costuma tomar? Brufen? Então vai levar esse na receita em vez do Ben-U-Ron.

E assim lá fui comprar a vacina à farmácia da Gândara, para levar ainda no mesmo centro de saúde, o que aconteceu já passava das 13h. Ao entrar na sala de vacinação, diz-me a enfermeira:

- Só uma? Ora bolas, tenho estado a dar 3 e 4 de cada vez e agora só dou uma…

Confesso que fiquei assustado, mas ela afinal estava só a brincar.

Resultado da Consulta do Viajante: uma manhã de espera, uma vacina e um monte de conselhos e informações úteis.

02 abril 2012

Espectativas Salariais

“Então e quais são as suas espectativas salariais?”

Esta é uma pergunta que é rotineira em todas as entrevistas onde tenho ido. Por alguma razão obscura, que quero chamar de falta de transparência, as empresas portuguesas nunca anunciam quanto estão dispostas a pagar quando publicam os anúncios. Salvem-se as honrosas exceções, que também as há.

Contrariamente aos anúncios estrangeiros, o intervalo salarial raramente é publicado no anúncio em Portugal. Acredito que seja uma manobra das empresas de terem esperança de os candidatos baixarem as calças o suficiente para que peçam bastante menos que as empresas estão dispostas a pagar, para assim pouparem alguns trocos em recursos humanos. No entanto isto tem também o senão de essencialmente, me fazer perder o meu precioso tempo, bem como perder o tempo às empresas que me telefonam e me entrevistam.

Tipicamente quando revelo as minhas “espectativas salariais”, sejam elas quais foram, fazem sempre um ar de que está acima das possibilidades da empresa, na tentativa de negociar. Mas também as há que não podem mesmo negociar e que apenas me fizeram perder tempo. Se tivessem anunciado logo quanto seria a margem salarial seria menos um Curriculum que receberiam, e menos uma entrevista que fariam.

23 março 2012

Os jogos da fome

Ontem a sessão de cinema foi para o filme sensação do ano, baseado numa história de ficção bastante recente de Suzanne Collins (o primeiro livro da trilogia foi publicado em 2009, o último no ano passado). O nome do filme é o mesmo do livro, “os jogos da fome” e tentando não estragar a emoção da história, devo dizer que esta é interessante.

À primeira impressão parece um filme de e para adolescentes. Mas não contrapondo essa ideia, é algo mais que isso. A história é de ficção, e passa-se num futuro não muito distante, em que os Estados Unidos sobrevivem a uma guerra civil que dá origem a um país com 12 distritos, chamado Panem. E como tributo e forma de manter a obediência, todos os anos são escolhidos dois jovens de cada distrito que irão lutar até à morte num evento intitulado precisamente “os jogos da fome”.

A história tem parecenças com “Truman Show”, no sentido em que revela que o poder das audiências se sobrepõe a qualquer preparação de combate que esses jovens possam ter. As regras do jogo mudam conforme o que o público quer, e isso revela-se trágico para uns e uma benesse para outros. No final, só pode ficar um.

O filme é muito interessante, a história é boa (fiquei com vontade de ler os livros), cheio de efeitos especiais, e com alguns atores de provas dadas, entre as quais Jennifer Lawrence, nomeada para os Óscares em 2010, e um Lenny Kravitz muito “limpinho”. Um filme que merece ser visto.

21 março 2012

Há algo de mágico em Fátima

Hoje fui ao lugar da Cova da Iria. Não em peregrinação, que há vários anos que não o faço, mas a pedido dos meus avós que queriam lá ir. E então, com boa vontade, mas com muito custo em levantar mais cedo que o habitual nos últimos dias, acedi.

Confesso que já não ía lá há algum tempo, mas como sempre, senti que há algo de mágico naquele lugar. Não sei se foi da minha formação católica e da prática religiosa que sempre me acompanhou desde a minha juventude, mas o que é certo, é que parece que me sinto diferente quando lá estou. Uma sensação de alívio e de plenitude por estar naquele lugar repleto de Fé.

E aproveitando a deslocação, resolvi ir a uma confissão, até para me preparar para um maravilhoso sacramento que irei ter daqui a algumas semanas. Quero, na minha Fé, sentir o coração limpo para melhor o receber e viver, com toda a felicidade que me for possível.

Fátima sempre fez parte de mim enquanto católico, e irá fazer por muitos e muitos anos, mesmo agora que a minha vida irá mudar para sempre.