Para que os pensamentos não se percam no éter, e o fumo do pensamento não ande por aí espalhado.

15 fevereiro 2011

O Cisne Negro

Quem estiver à espera que o filme “O Cisne Negro” seja apenas sobre o Lago dos Cisnes, pode desde já desenganar-se. Ele é muito mais que isso, é um thriller psicológico muito forte que se baseia numa companhia de bailado de Nova Iorque em vésperas de apresentar uma versão moderna da velha obra de Tchaikovsky.

O filme é intenso, a história é simples, dá para apanhar alguns saltos na cadeira, tem cenas muito fortes, e conta sobretudo com uma interpretação soberba de Natalie Portman, a provar porque razão merece o Óscar da Academia na próxima edição.

Os filmes de Darren Aronofsky têm sempre algo de estranho, e este não foge à regra. É sem dúvida um dos grandes filmes do ano, mas na minha opinião, dos que eu vi dos que são candidatos ao Óscar principal, este não seria o eleito.

03 fevereiro 2011

Preciso de um livro

Um livro que não seja técnico para me distrair de toda a documentação técnica que tenho que ler nestes dias. Não faço ideia o que anda aí na berra que possa cativar a atenção da leitura, por isso, se souberem de alguma coisa, digam, ou mesmo livros que tenham lido nos últimos tempos e que tenham achado interessantes.

Preciso também de ler um livro em Inglês. Para voltar a falar inglês como deve de ser, depois de incontáveis reuniões diárias com chineses, em que a língua falada é algo entre chinês e inglês, com predominância para a primeira. Até já dei por mim a inventar palavras que não existem, e o pior de tudo, é que os chineses perceberam! Por isso, também se aceitam sugestões de livros de autores estrangeiros não traduzidos.

Fico à espera de sugestões. Desde já, um muito obrigado.

01 fevereiro 2011

Cozinhar sem fogão – parte 2

Durante cerca de 15 dias andei a comer sem poder cozinhar no fogão, já que o mesmo estava partido. As refeições baseavam-se em comidas de forno, de micro-ondas, em sandes e cereais. Como não tenho Bimby, como alguns amigos sugeriram, apenas senti falta de um arroz ou de uma massa cozinhada em casa. Sei que também é possível de se fazer no micro-ondas, mas não queria estar a explodir com a cena.

Bom, depois de um telefonema à senhoria, uma das vantagens de estar numa casa alugada, ela lá comprou um fogão novo, já que o arranjo do velho ficava mais caro, por incrível que possa parecer. A instalação ficou também por conta dela, bastando da minha parte estar disponível para abrir a porta aos senhores que o vieram montar.

E após uma hora, eis que a cozinha está toda suja, mas pelo menos voltei a ter fogão. Pelo menos durante algumas horas, pois eis que me preparo para fazer o jantar e me cheira a gás na cozinha. Pensei logo que os homens rebentaram com alguma coisa entre a torneira do gás e o tubo de cobre que liga ao fogão. Resultado: mais uns dias sem cozinhar, até resolver o problema.

E resolvi. Desta vez pus eu as mãos à obra. Se queres alguma coisa bem feita, faz tu, lá diz o ditado. Desmontei o móvel da cozinha, e com a super técnica da água com sabão detectei a fuga, que vinha da rosca onde o tubo encaixa na parede. Após alguns apertos e substituições de borrachas, eis que o trabalho ficou pronto. E hoje, finalmente, já pude cozinhar no fogão novo, e fazer, adivinhem lá, arroz!

31 janeiro 2011

Apanhados a rir

Que o José Pedro Gomes é um actor fantástico já todos sabíamos. O que eu não estava à espera era de ver um Jorge Mourato fabuloso na sua interpretação, em nada atrás do José Pedro. Eu arriscar-me-ía a dizer que o papel principal é mesmo dele, tal a importância que tem na peça.

Falo da peça Apanhados na Rede. Uma comédia fabulosa e hilariante, com uma história simples de telenovela, que gira à volta de um homem (José Pedro) casado com duas mulheres, com dois filhos, rapaz e rapariga, um de cada casamento, que por acaso se conhecem no Facebook, e que combinam um encontro em casa um do outro.

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Durante a peça, o objectivo é fazer com que os jovens não se encontrem, e para isso José Pedro conta com a ajuda do seu melhor amigo Simão (Jorge Mourato), para prolongar o mais que pode a mentira em que vive há cerca de 20 anos.

Pelo meio há inúmeras peripécias, desencontros, risadas, algumas dos próprios actores que se perdem no improviso e nas anedotas durante a interpretação.

Uma peça recomendada a quem deseja rir desalmadamente, ou mesmo a quem precise de se animar um pouco, esquecendo todos os problemas, e passar um bom bocado na companhia de grandes actores de comédia dos nossos dias.

25 janeiro 2011

Kima

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Chegou a casa pelas mãos de um amigo da família, que o encontrou praticamente recém-nascido numa valeta. A mãe, não o conseguia sustentar juntamente com os outros irmãos. A minha mãe alimentou-o com leite durante semanas, através de uma seringa, onde ele mamava ávido.

Cedo mostrou ser rebelde. Adorava caixas e sacos, e com a chegada do Inverno aprendeu a guardar o lugar mais à lareira para si, miando desalmado como que a mandar embora quem o estivesse a ocupar.

Com as hormonas aos saltos, mostrou que gostava de marcar território, o que nos obrigava a ter olhar redobrado sobre ele e as portas das divisões da casa fechadas para que não apanhássemos nenhuma surpresa, como muitas vezes aconteceu. Aprendeu a passear na rua, dominando o território envolvente, metendo-se em lutas para o defender, e a cuidar dos mais pequenos que por lá passavam.

Umas vezes era o terror, outras um autêntico peluche fofo. Deixava as marcas das unhas e dos dentes quando brincava, sem malícia, ou virava-se de costas sempre que estava chateado com alguém. Tinha feitio de gato, mas era o gato lá da casa, o nosso gato.

Deixou-nos no dia 24 de Janeiro de 2011, com cerca de dois anos e meio, quando foi colhido por um carro na estrada. E deixou muitas saudades.

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21 janeiro 2011

Velejar

Pela primeira vez na minha vida, andei de barco à vela. Sempre considerei um passatempo elitista (afinal não é qualquer pessoa que tem um barco), mas apareceu a oportunidade de experimentar, e qual Bartolomeu Dias na sua caravela cheia de velas triangulares, aproveitei.

Cheguei à conclusão que a coisa não é tão simples como parece. Há muita ciência envolvida, e dá muito trabalho. É necessário saber o que se está a fazer, perceber de onde vem e com que força vem o vento, e esticar as velas de modo a poder aproveitá-lo da melhor forma. O barco, esse, quando está à bolina, quase que parece que vai tombar. É preciso saber cortar as ondas, nunca de popa, e contar com os balanços a que o barco está sujeito (bendito comprimido para o enjoo).

No meio dos termos técnicos, como genoa, virar de bordo, cambar, molinete, ir à bolina, e de toda a ciência e esforço físico necessário para se controlar um barco destes, puxar cabos, (des)enrolar cabos, dar ao molinete, ir ao leme, trocar de lado para não irmos inclinados e levar com os solavancos, o domínio da técnica, o levar com o vento no cabelo, e o vencer as ondas do mar, dá-nos uma sensação de conquista e de liberdade.

Continuo a preferir desportos em terra, mas foi sem dúvida uma bela experiência, que quem sabe, voltarei a repetir.

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O horizonte ao fundo

IMG_0271A enrolar o cabo no molinete

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Ao leme, já na chegada

17 janeiro 2011

Cozinhar sem fogão

O meu fogão de cozinha, potenciado pelo gás natural, resolveu avariar. Não sei exactamente qual a extensão do estrago, já que não sou especialista em aparelhos a gás, mas sei que fiquei com um botão na mão, e por isso resolvi fechar a torneira e chamar alguém que perceba do assunto.

Pelo meio enquanto estava a tentar ver o que podia aproveitar, noto que tem também um curto-circuito algures noutro botão, provavelmente relacionado com o isqueiro piezo-eléctrico.

Ora, até à data, nunca me tinha preocupado em não ter fogão. É verdade que não cozinho todos os dias, devido ao trabalho e às outras actividades extra-curriculares, mas quando preciso de cozinhar, sei que posso usar o fogão. Isso acabou-se momentaneamente. Nesta altura, estou a comer comida de forno e de micro-ondas, mas sinto falta de algumas coisas como massa, arroz, ovo cozido e dos meus fantásticos refogados.

Se alguém souber como se podem fazer estas coisas sem fogão, agradeço as dicas, e até os convido para jantar para experimentarem as receitas. E já agora, receitas sem fogão são também bem-vindas.

09 janeiro 2011

Leopoldina

Devo dizer que nunca achei muita piada às músicas da Leopoldina, com excepção da própria música do mundo encantado dos brinquedos. E as campanhas de angariação de fundos pelas grandes superfícies trazem água no bico, pois afinal de contas, quem faz o donativo dedutível de impostos são elas, e não o consumidor que paga  um ou dois euros para o efeito. Mas enfim, no meio de tanta intrujice, pelo menos alguma instituição carenciada é ajudada.

Este ano, já a Leopoldina tem braços em vez de asas, e mantém as mamas de silicone do ano passado. O mundo encantado dos brinquedos tem uma versão que eu detesto, em versão RAP ou Hip-Hop ou coisa que o valha, mas as restantes músicas do CD são simplesmente maravilhosas.

Todas elas são músicas da minha infância e da geração à que pertenço, interpretadas por artistas da actualidade, com os devidos arranjos, o que as tornam mais deliciosas. Ouvir Xutos ou Pedro Abrunhosa a cantarem músicas para crianças fez-me sorrir e voltar atrás no tempo.

Aqui fica uma pequena amostra das músicas do CD (obrigado amigos por mo apresentarem)

03 janeiro 2011

A Disney voltou aos clássicos

O primeiro filme que fui ver ao cinema em 2011 foi o Entrelaçados, a aposta da Disney para o Natal. E tal como esperado, até tendo em conta a crítica que li, o filme é muito bom, provavelmente um candidato ao óscar de melhor filme de animação.

A história é uma adaptação bastante livre do conto de Rapunzel dos irmãos Grimm. Tem a fórmula dos velhos clássicos da Disney, com princesas em apuros (ou não) e príncipes (ou ladrões) encantados. Tem magia, boas músicas, cantadas na versão portuguesa pela Anabela, uma boa narrativa, piadas q.b., e personagens que fazem as delícias de qualquer criança, desde as mais pequenas às mais crescidas, como eu. Um cavalo arraçado de cão e com muito mau feitio e um camaleão com ar mandão tratam da parte cómica do filme.

Para além da receita dos contos de princesas, tem também uma excelente imagem, cheia de cor, e finalmente parece que vi um filme de animação em que o 3D vale realmente a pena. Recomendo, para toda a família.

02 janeiro 2011

Não gosto de passas

E como tal, na passagem de ano, não abro uma exceção para as tradicionais 12 passas, para os mesmos desejos a concretizar no ano novo. E para colmatar este feito, decidi celebrar os desejos não com passas, mas com algo muito mais interessante: M&M’s.

Talvez não seja essa a tradição, mas o que eu sei é que para os M&M’s não preciso de fazer nenhum esforço. E sobre os desejos não se cumprirem, devo dizer que no ano passado também celebrei com os M&M’s e o ano de 2010 até que me correu bem.

O trabalho está óptimo, e melhor do que isso, gosto do que faço, de novo. Eu e a minha família estamos todos bem de saúde, sem nenhum problema de maior. Viajei bastante, por locais incríveis. Conheci pessoas fantásticas, algumas das quais já fazem parte da minha vida. E encontrei aquela pessoa tão especial que me faz sorrir ainda mais todos os dias.

Com tudo isto, como poderia eu não repetir a “minha” tradição dos M&M’s? Com uma tradição tão doce, o ano só poderá sê-lo também.