Para que os pensamentos não se percam no éter, e o fumo do pensamento não ande por aí espalhado.

01 outubro 2013

Sobrevivi à primeira semana de paternidade!

Quando converso com amigos sobre os sues filhos e como passaram as primeiras semanas, é bastante normal ouvir experiências que me deixariam logo com medo de ser pai, e até de optar pela adopção de uma criança já crescida para evitar estes primeiros tempos que fazem tanta gente queixar-se.

Que as crianças nesta altura só comem, dormem e fazem xixi e cocó, já se sabe. Nada de anormal, e é o esperado. Ouvir os pais queixarem-se que não dormem nada, que são tempos muito maus, etc., fazem-me perguntar, então porque é que se tem filhos?

No meu caso não me posso queixar muito. É difícil, mas como tudo na vida, nada que não se faça. É preciso algum cuidado na interacção com a criança, mas não é necessário tratá-la como se de um objecto de porcelana raríssima se tratasse. Requer essencialmente uma grande habituação às novas rotinas da casa, que são impostas por ele. É tão pequeno, e consegue deixar dois adultos completamente de rastos durante o dia.

Mas pegar nele e sentir que é realmente um ser tão frágil e inocente, encostá-lo ao coração e olhar para ele na sua paz de anjo enquanto dorme, é um prazer que supera qualquer dificuldade que se sinta. E são esses pequenos prazeres que nos dão a energia para continuar na rotina por ele imposta. Porque ele merece.

30 setembro 2013

Um bloco a perder folhas

Se é verdade que nunca fui simpatizante do Bloco de Esquerda devido essencialmente às suas políticas trotskianas que geralmente abordam assuntos que não interessam a praticamente ninguém, também é verdade que tenho saudades dos tempos em que Francisco Louçã mandava naquilo.

Com a saída de Louçã e a direcção bicéfala de Semedo e Martins, o Bloco actualmente parece um clone do Partido Comunista, sempre a bater na mesma tecla de desgraça e do contra, mas essencialmente, perdeu a sua piada. As políticas com Louçã poderiam ser na mesma inúteis, mas pelo menos tinha alguma piada ouvi-lo falar, e sempre agitava de vez em quando a Assembleia da República, fosse qual fosse o Governo que lá estivesse.

Desde a sua saída, talvez consequência do mau resultado das últimas legislativas em 2011, ou mesmo por opção, o que é certo é que o Bloco ficou cinzento, sem graça, com nenhuma imaginação e um discurso de Compact Disc riscado (O PCP continua na versão cassete).

Talvez resultado disso, nestas eleições autárquicas continuou a perder influência e a piorar resultados. Parece que o povo está mesmo farto de os ouvir.

24 setembro 2013

O Milagre da Vida

E às 16 horas do dia 22 de Setembro de 2013, a vida mudou para sempre.

O Milagre da Vida aconteceu. Ver nascer o Luís Afonso foi o culminar de 8 meses (sim, é prematuro) de gestação, que acompanhei desde que ele media apenas 3 mm. A mãe, que tem a sua quota parte na criação, e toda a responsabilidade na gestação, foi quem o transportou e quem mais sofreu durante este tempo, e até durante o parto.

O momento da notícia de que estava na hora bate cá bem no coração, e toda a ansiedade, que eu já pensava que era enorme, toma outras proporções. Não sei bem o que pensei, mas sei que era bom. Que era um momento de alegria que estava para acontecer.

Acompanhar a mãe no momento de dar à luz, dando-lhe, acho que inutilmente, alguma força para conseguir passar todo o momento com o mínimo de esforço, passa a correr. Entre pensamentos de inutilidade e piadas mal feitas que só aumentam a irritação dela, não fossem as drogas maravilhosas que existem para estes casos, e acho que as hormonas me teria dado uma valente bofetada.

E ouvir o primeiro choro, como sinal que tudo estava, aparentemente, bem, traz uma sensação de alívio, a ansiedade desaparece, mas em seu lugar vem a emoção, a comoção, e uma felicidade que não existem em poema nenhum ainda devidamente descrito.

O acto de cortar o cordão umbilical, apesar de simbólico, dá aquela sensação de que também eu contribuí para o evento. Mas por mais que eu queira pensar assim, não tem qualquer comparação com a força que a mãe teve para o fazer.

São estas obras da Natureza que nos fazem acreditar que ela é realmente maravilhosa. Que a vida é bela, e que, sendo nós tão imperfeitos, conseguimos trazer ao mundo um ser que tem tanto de frágil como de perfeito. Que é também a nossa melhor obra, e por isso mesmo nos enche tanto de orgulho de o termos connosco, a completar as nossas vidas. Uma vida a três.

03 setembro 2013

A Microsoft fintou a Apple

Num artigo publicado na Forbes, o autor do mesmo dá as suas justificações, na minha opinião quase todas válidas, para que a Apple, gigante da tecnologia, mas neste caso, apenas dos telemóveis, comprasse a Nokia.

Nas razões, detalhadas no artigo estão as patentes da marca finlandesa, as aplicações de mapas, a Wireless TV e a hipótese de derrotar definitivamente a Microsoft para fora do mercado neste segmento.

Não sei se à altura do artigo a Microsoft já tinha na manga a cartada de hoje de manhã, em que pelas razões semelhantes às apresentadas no artigo, comprou a Nokia. Quer o tenha antecipado ou não, a Microsoft fintou a Apple. Mantêm-se dentro do jogo dos smartphones (o Windows Phone está a uns escassos 3% abaixo da cota de mercado da Apple nos países do Norte da Europa), fica com os direitos das patentes, talvez o recurso mais valioso da Nokia neste segmento, e adquire o controlo total do hardware onde corre o seu, quanto a mim, muito bem desenhado, sistema operativo de smartphones.

Pelo meio as acções da marca finlandesa, que estavam a afundar quase ininterruptamente durante longos meses, tiveram uma subida repentina de 40%.

Parece que, afinal de contas, tanto a Microsoft como a Nokia se mantém vivas.

02 setembro 2013

A Constituição da Discórdia

Muito tenho lido sobre a decisão do Tribunal Constitucional relativamente à lei da mobilidade. Há a fação a favor da decisão (e consequentemente opositora da lei e essencialmente do Governo) e a fação contra a decisão. Mas o que mais me intriga nestes dois lados da fação é sentir que a própria Constituição da República Portuguesa, outrora apelidada de “a mais completa do mundo” (sabe-se lá o que quer dizer o “completa”), está a dividir os portugueses.

A Constituição deve servir de base para as leis de qualquer Estado Democrático. Deve definir princípios de liberdade e igualdade para todos. Mas chegados a um ponto em que metade dos portugueses acham que só atrapalha o país, não estaria na altura de rever essa mesma Constituição para que fosse de novo a Constituição de todos os portugueses?

Não devemos esquecer em que altura é que a mesma foi escrita, num período pós-ditadura, em que o povo estava ébrio da liberdade conquistada. Os ideais estão todos lá, é verdade, e os princípios básicos devem sempre lá constar. Mas a época é outra, e é necessário evoluir. A evolução não é uma coisa má, foi à custa dela que deixámos de ser quadrúpedes.

Dada a sua “completude”, pergunto-me se alguém, além dos juízes do palácio Raton, que o fazem por obrigação, já alguma vez leu a Constituição. Julgo que a mesma deveria ser simples o suficiente para todos a saberem de cor. E quem sabe se assim, ainda seria preciso um Tribunal para analisar a Constituição.

01 setembro 2013

Fotos digitais de antigamente

O despertar da fotografia digital, e principalmente o constante baixar de preço dos equipamentos, levou a que haja um boom de pseudo-fotógrafos. Toda a gente é fotógrafo, toda a gente tem milhares de fotografias digitais, centenas publicadas em serviços online, incluindo no Facebook, e alguns até se aventuram a fazer serviços como profissionais, depois resultando em grandes barretes.

Não me faz confusão nenhuma, que até sou bastante dado a inovação tecnológica. Tenho igualmente câmaras digitais (mais que uma) e alguns acessórios extra, que fui adquirindo ao longo do tempo. Ao longo deste tempo tenho a noção que não quero nem tenho pretensões de ser um fotógrafo profissional, mas isso não me impede de querer aprender sempre mais qualquer coisa e melhorar tanto o olhar como a técnica.

Aquilo que me faz confusão é a a profusão de fotografias, bastantes tiradas sabe-se lá com que equipamento topo de gama, com sensores que fantásticos a captar a cor e a luz, e que depois são transformadas em fotos super-saturadas do instagram, ou deslavadas de cor por um efeito qualquer, ou imitações autênticas de polaroids, com a sua gama de cores limitadas.

Pergunto eu, se é para isso, para que querem o material topo de gama?

25 agosto 2013

A Gaiola Dourada

O filme do filho de emigrantes em França, Ruben Pinto, já é o mais visto de sempre do cinema, vá lá, português. Criando as personagens como uma homenagem aos seus próprios pais, também eles uma porteira e um trabalhador das obras, o realizador conseguiu com uma história simples e bem humorada receber todos os elogios.

Isto prova que para o cinema ser bom não é necessário realizações de planos estáticos demorados, histórias em que é preciso tirar um curso de literatura para perceber o mínimo de significado, nem exibir o filme à porta fechada para meia dúzia de espectadores.

O cinema português pode e deve ser tão bom quanto os restantes, sem ser itelectualóide, chato ou exclusivo para minorias. Porque afinal de contas, quem o deve pagar é o espectador e não o contribuinte.

A Gaiola Dourada–offical trailer

31 julho 2013

Liberdade, mas com limites…

Para os mais esquecidos, e isto já não é do meu tempo, mas houve uma altura em Portugal em que para dizer o que se pensava tinha de ser às escondidas, bem longe dos olhares mais observadores e inquisidores, ou então simplesmente não dizer nada, para não haver problemas de qualquer espécie. Depois veio o 25 de Abril e foi uma maravilha, liberdade, incluindo a de expressão, para todos.

Até aos dias de hoje.

Parece que voltámos aos tempos inquisidores de há 40 anos. Se na altura, como em qualquer altura, era necessário medir muito bem o que se dizia, para não ser preso ou ostracizado pela polícia política, hoje, tem de se ter igualmente o mesmo cuidado para não ser publicamente linchado.

Em todas as épocas, e de todas as pessoas, há as opiniões interessantes, as simplesmente estúpidas, passando pelas descabidas e até por aquelas que, no seu devido contexto, devem simplesmente ser desprezadas, já que dar-lhes mais que isso é torná-las mais importantes que aquilo que são.

Mas o povo, pelo menos algum, anda melindrado. Curiosamente, aqueles que mais apregoam os valores de Abril, são precisamente aqueles que mais depressa tomam o lugar da frente no pelotão de linchamento.

Será que sou só eu que noto aqui uma certa ironia com uma ligeira dose de intolerância à mistura?

26 julho 2013

Um Papa irresponsável?

Não posso negar que gosto de ouvir o Papa Francisco. Gosto das suas palavras sábias (e pensadas). Gosto do seu visual mais terreno e menos divino. Gosto da sua atitude e da sua vontade de estar sempre junto dos fiéis. Mas há algo que me causa algum desconforto.

Apesar de querer ser sempre terreno, próximo, bem à maneira dos Jesuítas, o Papa Francisco não pode deixar de se lembrar que é o Papa. E sendo Papa, por mais que queira continuar a sua vida de forma normal, não será possível. Porque onde quer que vá, multidões o seguirão, não apenas para o ouvir, mas para estar bem próximo dele. E quando alguém muito famoso e importante vai a algum lugar muito povoada, como a rua principal de Copacabana, tem de estar preparado para isso.

Aparecer de surpresa num carro normal no meio do trânsito citadino e parado num cruzamento, faz com que multidões se aglomerem o mais próximo possível para obter um sorriso, uma foto, um toque ou uma palavra. E aglomerados de gente levam à desgraça de alguns, entre esmagamentos e pisadelas, que por pura sorte não aconteceu naquele cenário.

Quero que Francisco continue a ser terreno como é. Mas essencialmente quero que seja Papa.

02 julho 2013

A culpa foi do Excel

Ao fim de 741 dias, e para agrado de muitos (mesmo assim muito menos que eu imaginava, dada a quantidade de opiniões que tenho lido) eis que Vítor Gaspar se demite.

Sempre pensei que ele estava no Governo para dar a cara pelas coisas “más”, enquanto que os restantes ministros trabalhavam sem qualquer perturbação por parte da opinião pública, dos sedentos de poder e de votos partidos da oposição, e dos sanguinários media. Mas parece que a sua paciência chegou ao fim, ainda antes da nossa. A minha, no lugar dele, já teria esgotado há muito muito tempo.

Um bom exemplo foi a TSU, que toda a gente criticou quando foi proposta, mas que passados uns meses já se tinham arrependido. Pelo meio uma fórmula do Excel mal feita no resgate da Troika (malvada Microsoft, a querer enganar-nos!) acabou por ser o bode expiatório e o motivo de gozo de todos.

Paulo Portas acaba também ele por ser promovido, pois passa a nº2 do Governo. Nunca engoliu muito bem o facto de ser apenas nº3, e passava todo o tempo a dar uma cravo outra na ferradura, com birra de menino mimado, servindo-se de Vítor Gaspar como saco de pancada. Em quem vai bater agora, já que, dizem as regras, que não se bate em senhoras?

No meio disto tudo, até pode haver quem fique contente com a saída de Vítor Gaspar, e admito que tem razões para isso, mas reduzir os problemas que o país tem ao ex-ministro das finanças, é tentar branquear todo um país que advoga direitos de conquista democrática, sem nunca se referir aos deveres necessários de cumprir para atingir esses direitos. Quem tenta alterar os direitos para endireitar este burgo, tem morrido sempre a caminho, seja de um desastre de avião ou de cansaço e desgaste, como foi o caso.