Para que os pensamentos não se percam no éter, e o fumo do pensamento não ande por aí espalhado.
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29 março 2011

Aventuras na China

Foi com alguma surpresa que apareceu a oportunidade de ir até à China, numa visita de trabalho repentina. Eu, como adoro viajar, sair de vez em quando dos ares habituais, conhecer novas culturas, não me fiz rogado, apesar de saber que iria ter muito pouco tempo para apreciar minimamente o passeio. O destino foi Nanjing, capital do sul (traduzindo o nome), situada a cerca de 300Km a Oeste de Shangai.

Depois de 24 horas de viagem, e chegado a um fuso horário realmente diferente, foi com um grande ar de cansaço e de sono que cheguei ao guichet da verificação do passaporte. O chinês que lá estava, olhava fixamente para mim e para o passaporte. Depois de me tentar comparar com a fotografia do passaporte, tirada à 5 anos e com cabelo bem mais comprido, lá me pediu outra foto para me identificar. Isto começa bem. No entanto, viria a verificar que os ocidentais são completamente ignorados pelos chineses, devido à barreira linguística. Tirando na generalidade dos que trabalham no aeroporto e nos hotéis, nalguns restaurantes igualmente, nenhum fala inglês. Manter um diálogo mesmo que macarrónico com eles é tarefa impossível.

E dizem as boas práticas de quem visita esse país, que a primeira coisa a fazer é pedir no hotel por um cartão que contenha o nome e a morada do mesmo em chinês, para no caso de necessidade, o entregar ao taxista, e assim poder regressar ao hotel. Mesmo numa “pequena” aldeia com 5 milhões de habitantes, é aconselhável fazer.IMG_5331

A cidade parece muito cinzenta, e não lá muito bonita. Tem alguns prédios altos, e zonas de muitas estradas circundantes da muralha da cidade. Na zona centro, junto ao hotel, parece mais uma Chinatown em tamanho gigante, e no original. A partir da janela do quarto do hotel, temos uma vista sobre a orla de prédios envolventes.

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Como é dia de trabalho, e o cansaço é grande, a descoberta da cidade fica para outra posta, dentro de algumas horas.

19 março 2011

Cuenca

O nome da cidade Espanhola dá origem a muitos trocadilhos na língua portuguesa. Na realidade, situa-se a cerca de 160Km a Sudeste de Madrid, na região de Castilla-La Mancha, a mesma de onde era originário D. Quixote.

Aproveitando os feriados do Carnaval, e uma viagem Fotoadrenalina, chegámos à região até aí pouco conhecida, pelo menos por mim, pelo que fui totalmente à descoberta. A cidade é bastante grande, e a parte turística, a cidade velha, bem no cimo da colina e ladeada por um desfiladeiro e por dois rios (Cuervo e Júcar), é o que mais impressiona, pela seu charme e pela sua imponência sobre o vale.

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A cidade velha de Cuenca, situada no cimo do desfiladeiro

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Pormenor de uma rua da cidade velha, e da Catedral.

A maior atracção da cidade são as casas colgadas (suspensas), literalmente sobre o desfiladeiro. Sem as puder observar de dentro, a visão de fora já é surpreendente. A vista do miradouro sobre o desfiladeiro e as casas colgadas abstraem-nos do frio que se faz sentir nesta altura do ano.

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Vista do miradouro sobre as casas colgadas

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Vista sobre a estrada e o vale do Rio Júcar

Cuenca é também o nome da província, que além da cidade, oferece excelentes paisagens naturais, muitas delas propícias a saudáveis caminhadas bem acompanhados pela envolvente Natureza. A região é composta por rochas calcárias (carbonato de cálcio) que ao longo dos anos, com o desgaste da erosão e das águas das chuvas e dos rios, foram escavadas e apresentam nos dias de hoje autênticas obras de arte naturais.

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Paisagem calcária de Las Majadas.

É o caso da ciudad encantada, outro dos ex-libris da região. As rochas foram associadas pelos olhos populares a objectos ou situações de acordo com a sua forma, pelo que podemos encontrar uma luta entre um elefante e um crocodilo, dois amantes a beijarem-se, uma foca, ou o postal de entrada em forma de um cogumelo gigante.Cuenca 383

O cogumelo gigante da Ciudad Encantada.

As covas do lobo e as lagoas são outros pontos turísticos interessantes. As primeiras são enormes crateras na rocha, provocadas pela erosão, que impressionam pelo seu tamanho, como se de os vestígios de um meteorito se tratassem. As segundas, formadas com o mesmo princípio, mas no caso a erosão escavou até ao lençol freático, construindo assim um lago, tornando a paisagem mais agradável e brilhante. A Natureza é de facto um arquitecto fantástico.

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Uma Cova de Lobo

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A lagoa de la Gitana em Canãda del Hoyo.

A nascente do Rio Cuervo situa-se bem no cimo da serra, onde a caminho se pode observar a Ventana del Diablo, um miradouro natural sobre o rio, de uma imponente altitude e de uma paisagem natural de beleza invulgar. Pena que não chegássemos a tempo de a ver com luz, pelo que deixo a imagem à imaginação de cada um para que possam aguçar o seu apetite para uma visita.

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Vista do miradouro da Ventana del Diablo.

Passado o planalto de Cuenca, pode-se observar a terra bem tratada pelos agricultores, numa paisagem que se torna árida para a vista, mas útil para a sociedade.

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Paisagem de uma pradaria

E no caminho de regresso a Madrid, tempo para uma passagem em Mota del Cuervo, onde se pode observar a paisagem que D. Quixote tanto perseguia, atrás da sua Dulcinea.

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Os moinhos de Castilla-La Mancha, e a estátua de D. Quixote.

Nesta viagem houve ainda tempo para convívio e tertúlias, acompanhados per deliciosas refeições de carne e peixe. Ficam também na memória os bocadillos e montaditos típicos de Espanha, com os seus maravilhosos queijos e enchidos tradicionais que serviram de base de alimentação durante esta estadia.

11 dezembro 2010

Bella Italia

Como já devem ter reparado, as minhas férias no início de Dezembro passaram-se em Itália. Aproveitando o feriado a meio da semana, lá consegui tirar uns dias de descanso, longe da azáfama do trabalho, pouco habitual para a época.

O destino, mais especificamente, incidiu na região dos lagos, na zona norte de Itália. A vista sobre os Alpes desde o lago Maggiore é algo que eu nunca tinha visto com céu limpo, e que me deslumbrou.

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As pitorescas cidades italianas são sempre muito interessantes. As ruas são autênticos monumentos, com edifícios mais ou menos velhos, e mais ou menos restaurados, mas que dão sempre para fotografias excelentes. E desta vez, até a neve ajudou ao cenário.

Bérgamo, Como, Varese, Bellagio, Laveno foram as cidades italianas visitadas desta vez, cada uma com as suas características únicas. Varese é uma cidade mais virada para o comércio, pelo que não é tão turística como as restantes. É uma cidade importante para a região onde está inserida, e fornece os serviços essenciais para a população.

Como é famosa por ser onde vive o ator George Clooney, onde mais uma vez, passou despercebido, o malandro, talvez na sua loja Nespresso mais próxima de casa. Bérgamo fica situada a alguns quilómetros de Milão, e a zona da cidade alta é muito pitoresca, cheia de ruas estreitas, lojas típicas de comércio tradicional e artesanato e alguns monumentos.

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Bellagio é a terra que dá nome ao famoso casino-hotel de Las Vegas. Situada no vértice do lago di Como, é uma aldeia pequena, mas rodeada de uma paisagem soberba.

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Laveno é uma das cidades mais importantes à beira do lago Maggiore. Conhecida pela sua Funivia, que está fechada na maior parte dos dias de Inverno, do cimo do monte tem-se uma vista fenomenal sobre o lago. Como não foi possível subir até lá, a vista a partir da igreja já é por si interessante.

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Bem perto de Laveno, situa-se a ermida de Santa Catarina del Sasso. Construída sobre uma falésia, a igreja é pequena mas acolhedora. A vista sobre o lago Maggiore é privilegiada devido à sua localização.

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Ainda houve tempo para dar um salto à Suiça, que fica bem perto desta região. A cidade escolhida foi Lugano, à beira do lago com o mesmo nome. A diferença de mentalidade entre o povo vizinho é enorme, desde logo com o respeito na estrada, quer pelos peões, quer pelos outros condutores. E o embelezamento da cidade, com os jardins sempre aparados, contrasta com algum desleixe típico dos povos latinos, entre os quais o italiano. Na cidade, já com alguma dimensão, é vulgar encontrar lojas de venda de chocolate artesanal, um verdadeiro ex-libris do país.

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E claro que a visita não podia terminar sem uma passagem pela loja da fábrica de chocolates Lindt, situada perto de Varese, onde um guloso como eu se pode perder no meio de tanta variedade.

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08 dezembro 2010

Comida Italiana

Se há país onde eu nunca passo fome é a Itália. Para além do meu Portugal, é talvez o país onde eu mais aprecio a comida. Claro que é sempre preciso saber onde comer, que quem procura fast food, encontra-o.

Nas entradas é habitual haver sempre os grissini, pão seco em forma de palito, alguns com ervas aromáticas, ou simplesmente de pão. E a bela polenta, um género de papas de milho que pode vir mais ou menos condimentada, mas que é o tradicional alimento dos montanhistas, tal a força calórica que introduz a quem a come.

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As pizzas italianas tradicionais, de massa fina e com um molho de tomate que é simplesmente divinal, levam muito poucos ingredientes, ao contrário das que se fazem por cá nas cadeias de fast food. E são sempre de comer e chorar por mais.

Para além das pizzas, há as pastas, com massas de múltiplas formas e cores, desde o tradicional spagheti, a outras mais estranhas em forma de orelhas. E os molhos que as acompanham são igualmente de nos levar aos céus.

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As sobremesas são de entrar em transe. O tiramisu, que pode levar rum ou café, mas que em qualquer dos cenários é uma sobremesa fantástica. E se no verão o calor pede sempre por um delicioso gelato, tipicamente de fabrico artesanal e por isso sempre cremoso e muito saboroso, o inverno chama mais por um ciocolatto caldo com panna, que aquece os momentos mais frios e adoça qualquer amargo de boca.

Para quem gosta de rematar com digestivo, eu sugiro um lemoncello com limões da Sicília, ou um qualquer outro licor de fabrico artesanal, disponível por toda a Itália.

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05 dezembro 2010

Neve

Adoro neve. Desde que não seja em demasia e não nos impeça de sair de casa (ou do aeroporto). Talvez por viver numa zona do país onde raramente neva, parece que sinto a necessidade de ver, tocar, pisar neve quando chega a altura de Dezembro.

E por isso quando chega a altura de Dezembro resolvo meter-me num avião e ir para paragens onde a neve é algo abundante. O frio é sempre relativo, mas a alegria que sinto ao estar na neve supera todos os problemas climatéricos. Além de que é muito giro ver os flocos a cair e muito mais simpáticos que qualquer chuva.

E nada melhor que um belo de um chocolate quente italiano com natas para matar o frio que se faz sentir, e adocicar o momento com tão deliciosa degustação.

Com a chegada da neve, o Natal está mesmo à porta, e é muito normal ver-se nos países europeus as tradicionais feiras de Natal, com os mais variados artigos desde artesanato, até comidas, e o indispensável vinho quente da época.

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Vista de Sacro Monte

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Cai neve em Bérgamo

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Os enfeites naturais da neve

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Pequena feira de Natal em Ispra

04 dezembro 2010

E a partir do avião…

…tiram-se fotos espetaculares de paisagens de cortar a respiração. Mesmo com o telemóvel. Os Alpes são mesmo magníficos.

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Voar em low-cost

Nunca voei em Low-Cost. A única razão, pelo menos até hoje, foi a de nunca se ter proporcionado. Os voos são tipicamente a horas que não dão jeito a ninguém, e os mais baratos são de ou para aeroportos que não interessam.

Hoje, o meu voo na TAP para Milão demorou uma hora a mais que o previsto. E qual foi a razão? A greve do pessoal de terra em Espanha fez com que o espaço aéreo espanhol estivesse fechado à aviação. Com isto, o avião teve de ir dar uma volta até aos Açores e regressar ao continente pelo Golfo da Biscaia, entrando em Itália por França, contornando assim as limitações impostas por Espanha.

Ora, agora imaginem que tinha sido uma low-cost em vez da TAP. Os bilhetes, quando andei a procurar, eram mais baratos 2€, logo nem valia a pena chatear-me. Na TAP ainda me serviram uma refeição, nada de especial, devo dizê-lo, mas fica a intenção. E pelo menos, ao contrário de outros voos, o mesmo não foi cancelado. Não estou a ver nenhuma low-cost a gastar mais combustível, a trocar o avião por um maior, apenas para poder contornar Espanha. O mais fácil, e típico nas low-cost, é cancelar. E o passageiro que se amanhe.

Quando há patrões de empresas low-cost que só não põem os passageiros a voar em pé agarrados ao varão apenas porque as regras de segurança internacionais não deixam, aí se vê ao que se sujeitam os passageiros. Eu ainda prefiro a minha dignidade e algum conforto. Dizem que é da idade.

30 outubro 2010

Fim de semana grande

Quando há fins de semana compridos, devido aos feriados que nos sabem sempre tão bem, tento sempre por-me em viagem na altura que previsivelmente terá menos trânsito na estrada.

Pois parece que cada vez há mais gente que pensa da mesma forma que eu. De tal forma que ao ir para Norte apenas no sábado de manhã deparei-me com tudo aquilo que não queria: acidentes, carros que nunca mais acabavam, empatas na auto-estrada e na nacional, e filas intermináveis. Para ajudar à festa, um temporal desgraçado que causou imensas poças de água nas estradas, piorando ainda mais o cenário.

Por tudo isto, acabei por demorar quase 2 horas a fazer a viagem, quando o habitual é demorar 70 ou 80 minutos.

18 outubro 2010

Grutas de Mira de Aire

Ainda antes de serem eleitas como uma das 7 maravilhas naturais de Portugal, tive oportunidade de visitar esta magnífica obra da Natureza. Nos meus 33 anos de vida, foi a primeira vez que tal aconteceu, mesmo considerando a proximidade a que moro.

Localizadas na zona centro oeste de Portugal, as Grutas de Mira de Aire são as maiores grutas turísticas de Portugal. A sua extensão atinge já os 11kms de gruta conhecidos, mas apenas 600 metros podem ser visitados turisticamente. Inauguradas em 1974, e com milhões de visitantes, durante o percurso descemos cerca de 150 metros em profundidade. Pelo menos existe um elevador para nos levar de volta para a superfície.

A visita começa pelo grande salão, a maior cova natural de uma gruta existente. Pelo caminho, as afiadas estalactites, e as hirtas estalagmites, acompanham-nos numa viagem pelo centro da Terra, onde as esculturas da Natureza na rocha calcária e húmida nos circundam.

IMG_3930 O grande salão

Mesmo depois dos vários avisos do guia para que o grupo não se afastasse, foi possível observar com um olhar maravilhado o que de mais belo a Natureza tem para nos oferecer. Os muitos lagos interiores, como não poderia deixar de ser, cheios de moedas e desejos, são iluminados para um ambiente mais suave e acolhedor.

IMG_3971 Estalactites

IMG_3953 Um dos muitos lagos interiores

A viagem termina pelo corredor das luzes, onde fontes de água iluminadas com cores proporcionam belos efeitos visuais. Antes de entrarmos no elevador de regresso à superfície, o pequeno espaço de exposição, onde se mostram algumas das rochas mais curiosas descobertas na gruta, das mais variadas formas e feitios.

IMG_4008 O corredor das luzes

Um passeio que se recomenda, para que todos possamos apreciar esta verdadeira maravilha, bem no nosso Portugal.

Mais fotografias podem ser vistas aqui.

05 outubro 2010

A aventura dos U2

Sempre que os U2 vêm a Portugal, a aventura começa logo nas intermináveis filas para tirar os bilhetes, com mais de um ano de antecedência. Os fãs dormem ao relento durante dias para conseguir um bilhete, cujo preço já é por si só uma exorbitância. Confesso que não há banda nenhuma que me leve a dormir ao relento para conseguir bilhetes. Prefiro a minha dignidade. E por isso, o tempo foi passando, comigo já conformado que também não iria ao concerto desta vez. Os bilhetes esgotaram em poucas horas, e os que seriam postos na revenda pelos novos donos custariam tanto como um ordenado. E o mesmo se passa para o segundo concerto, anunciado uns dias depois, para o dia adjacente.

Até que algumas semanas antes, me perguntam se eu quero ir ao concerto, pois uma amigo ainda tem bilhetes disponíveis. E eu, claro que aproveito, mesmo sendo um preço tipicamente proibitivo. Mas são os U2, e o bilhete custou mesmo aquele preço, por isso, é uma bela oportunidade. Com o aproximar dos dias do concerto, deparo-me com mais e mais ofertas de bilhetes disponíveis para venda. Bilhetes que foram comprados, na sua maior parte com a ganância das pessoas, que ao chegarem próximo da data dos concertos se vêem com os bilhetes na mão, inúteis.

Foi por isso sem grande espanto que observei, ao chegar a Coimbra, que havia bastante disponibilidade de pessoas a vender bilhetes na rua. Também havia quem os quisesse comprar, e a esses eu chamo uns optimistas, para além de sortudos por terem arranjado os bilhetes tão em cima da hora.

A cidade de Coimbra estava preparada para a festa. A viagem de comboio fez-se sem sobressaltos, e os autocarros criados para o efeito cumpriram o seu dever, quer à chegada, quer à partida, o que evitou a confusão das filas intermináveis de trânsito que se geraram para o acesso à auto-estrada.

No comboio de regresso, com a alma cheia do melhor concerto que alguma vez assisti, e com o corpo cheio de cansaço e de sono, acordei sobressaltado com a voz do revisor da CP, que com o seu ar de gozo gostou de me ter acordado para pedir os bilhetes. Depois disso, só acordei em Vila Franca de Xira, a poucos minutos da Estação do Oriente, onde saí já passava das 4h da manhã.

No dia seguinte, acordar o mais cedo que consegui para ir trabalhar. Cheio de sono, sem vontade, mas com um sorriso enorme e a alma brilhante das aventuras do dia anterior. Não me importaria de repetir tudo de novo.

26 setembro 2010

Lisboa, o encanto da cidade

Mudei-me de malas e bagagens para Lisboa com 18 anos, na altura da entrada na Universidade. Já lá vão uns bons anos. E tirando os tempos de mais ou menos estudo, em que se saía à noite para a habitual borga estudantil, raramente me dediquei ao turismo em Lisboa. Não por falta de tempo, apenas porque ao passar toda a semana em Lisboa, o que me apetecia era mesmo ir para outras paragens, aliviar do stress e da correria.

Hoje, passados muitos anos, já não consigo estar muito tempo longe deste stress e desta correria da cidade. E apesar de conhecer os locais turísticos da cidade, nunca os apreciei como devia, até recentemente, aproveitando a visita de familiares.

IMG_3750 Vista do miradouro de Santa Luzia sobre os bairros populares

Apanhando o eléctrico 12 na Praça da Figueira, ainda na sua forma antiga, em ferro, e sem janelas, sobe-se até aos bairros do castelo, onde no  miradouro de Santa Luzia se podem observar alguns dos bairros mais famosos da cidade, como a Graça e Alfama, e a vista sobre o rio. Descendo pelas ruas estreitas e inclinadas chega-se à Sé catedral de Lisboa, edifício do séc. XII imponente sobre o bairro. No seu interior, a nave da igreja e a beleza dos seus vitrais são visitas obrigatórias, pelo jogo de luzes que mostram.

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A Sé de Lisboa

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Vitral da Sé de Lisboa

Seguindo pelo bairro da Madalena, chega-se à zona do Terreiro do Paço. A Rua Augusta, outrora famosa pelas suas lojas de renome, agora é pródiga em cafés turísticos, e lojas de artigos mais acessíveis. E dado o calor que se faz sentir, nada como uma paragem para uma bebida refrescante, com vista para o magnífico arco e a arquitectura pombalina da zona envolvente.

IMG_3767 Rua Augusta e o arco

A Praça do Comércio, restaurada recentemente, desilude. A troca do chão em calçada portuguesa, que em tempos desenhava padrões interessantes no chão, pelo ladrilho de cimento, torna-o um local bem menos bonito, e muito menos acolhedor. A estátua de D. José I agora parece sozinha no meio da praça, rodeada de um vazio enorme. O cais das colunas, apresenta um cheiro nauseabundo, devido aos esgotos que ainda jorram para o rio Tejo naquela zona. E a quantidade de tainhas que se alimentam desses dejectos ilustram bem a imundice que aquelas águas apresentam. O Tejo e a cidade de Lisboa merecem melhor.

IMG_3771Cais das colunas, no terreiro do Paço

Subindo pela Rua do Ouro, chega-se ao elevador de Santa Justa. Um edifício do séc. XIX, já reparado mais recentemente, que permite uma vista fabulosa sobre a baixa da cidade, desde o Rossio até ao Terreiro do Paço, e o castelo ao fundo, como que a reinar sobre Lisboa.

IMG_3786Elevador de Santa Justa

 IMG_3791Vista sobre o Castelo de São Jorge

 IMG_3795 Vista sobre o Rossio

Passando pelo elevador, ao lado do convento do Carmo, chega-se ao Chiado, onde se pode parar para um café junto da estátua de Fernando Pessoa, ou mesmo um gelado magnífico no Santini, bem em frente dos novos armazéns do Chiado. Um passeio a pé pela zona circundante vale a pena, para apreciar a mistura da arquitectura pombalina com as modernas construções, já depois do incêndio do Chiado.

Para quem como eu mora em Lisboa, foi um redescobrir da cidade num passeio como turista, que me fez gostar mais de Lisboa, com uma perspectiva diferente do que estou habituado.

31 agosto 2010

Oceanário

Passaram 12 anos desde que fui pela primeira vez ao Oceanário de Lisboa. A primeira vez foi durante a Expo 98, onde os milhares de visitantes eram pressionados a despacharam-se de modo a dar lugar a outros milhares que se seguiam.

Desta vez, e já sem a confusão da Expo 98, a visita foi feita ao ritmo que apeteceu, sem pressas, e apreciando todo um mundo de espécies animais e vegetais que depende dos oceanos.

Pela janela do grande tanque central observamos os vários peixes em harmonia, e quase que nos sentimos debaixo de água, mesmo quando algumas das espécies mais simpáticas se aproximam como que para dizer olá.

IMG_3836 Grande tanque central

IMG_3921Um simpático e estranho peixe

 IMG_3872Um tubarão, dos vários existentes no tanque

Nos quatro tanques adjacentes ao tanque central, um em cada esquina, mais pequenos, são recriados os habitats de quatro oceanos específicos: Atlântico, Pacífico, Índico e Antárctico. Na parte superior de cada um destes tanques, observam-se muitas aves, de várias espécies. E em toda a visita são dados conselhos para a preservação de cada uma dessas espécies, que os visitantes deveriam ler, e essencialmente cumprir.

IMG_3841 [1024x768]Papagaio-do-mar (Atlântico)

IMG_3853 Pinguim, a posar para a fotografia (Antárctico)

IMG_3855 Pinguim, a “cantar ópera” (Antárctico)

No tanque do pacífico encontra-se aquela que é talvez o ex-libris do Oceanário, e que diverte e entretém os visitantes, tal a sua simpatia. A lontra Amália, agora sozinha, à espera que duas das suas crias regressem a Lisboa para lhe fazer companhia. A lontra macho Eusébio morreu há pouco tempo, e as três crias do casal foram emprestados a aquários da Europa. Digam lá se não dá vontade de lhe fazer festas?

IMG_3861Amália, a única lontra actualmente presente no Oceanário (Pacífico)

Por entre os pequenos aquários interiores é possível ver toda uma séria de animais marinhos, das mais variadas formas e cores, desde o polvo gigante do pacífico ao caranguejo-aranha do Alasca, passando pelos agora famosos peixes-palhaço, muitas anémonas, medusas, e outros animais ainda mais estranhos.

IMG_3922Peixes-palhaço

IMG_3905  Coloridas anémonas

Como um pequeno bónus na visita, o Oceanário apresenta uma exposição de anfíbios, também eles cheios de cor, e alguns bastante difíceis de localizar, dada a sua capacidade de camuflagem e o seu (espantoso) reduzido tamanho.

IMG_3887 Uma rã, do tamanho de um polegar

Não sei quando voltarei a ir a Oceanário de Lisboa, mas espero não demorar novamente 12 anos. É um local que vale a pena visitar.