Para que os pensamentos não se percam no éter, e o fumo do pensamento não ande por aí espalhado.
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16 setembro 2012

Que as pessoas se revoltem!

Ouvem-se gritos de revolta por todo o lado. Contra o Governo, contra a Troika, contra a austeridade. Só ainda não ouvi ninguém revoltar-se contra si mesmo! Sim, porque o primeiro grito de revolta tem de vir de nós próprios.

Os portugueses só querem que não aconteça nada. É muitas vezes este medo da mudança que os mais faz revoltar contra o mundo que os rodeia. O sair da zona de conforto de vez em quando não faz mal a ninguém, e só abre novos horizontes, para além de criar esperança, que fica diminuída quando se espera que “nada aconteça”.

Com os tempos a mudarem em todas as frentes, desde geográficas até às económicas, porque é que tem que “ficar tudo na mesma”? No caso português, porque é que tem de continuar a ser o Estado a suportar velhos vícios e velhos hábitos, que nos últimos anos só destruíram o futuro, dando esperança para o presente? E porque o há-de continuar a fazer, quando as pessoas preferem ser inertes no seu canto de confiança, do que correr para novos horizontes?

Por isso, o apelo à revolta de cada um! Não contra a política, ou contra o FMI, ou contra o Governo, ou contra os outros. Mas contra cada um! Porque primeiro temos que sair deste modo de comodismo onde não acontece nada, para depois podermos dizer que afinal a mudança é boa. E se o não for, pelo menos ficarmos de consciência tranquila porque pelo menos tentámos.

22 agosto 2012

As cláusulas de um contrato de trabalho

Continuando na senda da procura de trabalho, de vez em quando sou confrontado com algumas propostas. E em agarrado a essas propostas vem geralmente um contrato de trabalho, ou pelo menos o esqueleto do que será o contrato de trabalho.

Mais cláusula, menos cláusula, todos são muito idênticos, pois as empresas gostam muito de se proteger contra sei lá o quê, talvez alguns trabalhadores demasiado poderosos que possam querer ganhar dinheiro da empresa em tribunais em vez de o ganharem a trabalhar para a empresa.

E daí resolvi fazer um resumo das principais cláusulas que geralmente figuram nos contratos de trabalho. Não discuto a legalidade das mesmas, já que não sou jurista nem tenho conhecimentos para isso.

As apresentações

Aqui é onde se apresentam as entidades e/ou pessoas que vão assinar o contrato. Nade de extraordinário, portanto

Localização do posto de trabalho no planeta Terra

Descreve-se a morada onde se poderá ou não vir a exercer o trabalho, consoante a empresa ache que o mesmo é ao virar da esquina ou ao virar do hemisfério norte, podendo alternar entre os dois sem que o empregado bufe sobre o assunto

Escravatura

Define-se o tempo de trabalho que a empresa apresenta dentro da lai, mas com todas as condicionantes que podem levar a que esse tempo se estenda por muitas e largas horas durante toda a semana e feriados, sendo que o trabalhador terá que cumprir as horas que a empresa quiser sem se queixar, que estamos aqui é para trabalhar.

Precariedade

A esmola a que chamam de salário que o trabalhador tem direito por cumprir com as libertinas horas de trabalho definidas anteriormente pela empresa.

Férias

O que é isto? A emprese é que marca férias e mais nada. O trabalhador aceita e não bufa.

Complementos legais

A empresa tem de dizer sob qual artigo está a redigir o contrato. Como se isso importasse para o que lá está escrito.

Escapatória

Sempre a favor da empresa, mas define o período de sofrimento mínimo que o trabalhador tem que ter antes de se poder ir embora.

Anti-espião

Não vá o trabalhador ser um empregado da empresa da concorrência, ou ainda pior, dos serviços secretos de um país qualquer obscuro, tudo o que acontecer no trabalho, fica no trabalho. E se assim não for, quem é que se lixa? O trabalhador, claro está, que terá de penhorar a casa, o carro e os anéis de ouro para poder pagar a indemnização à empresa, mesmo que o “segredo” revelado seja a localização da casa de banho no primeiro andar.

És nosso

A empresa gosta muito do trabalhador, e por isso não o quer partilhar com ninguém. Ninguém mesmo, nem mesmo com a família, mas isso já seria ilegal e por isso esta parte já está na cláusula da escravatura. E ai do trabalhador se tiver que trabalhar noutro lado para poder pagar a renda de casa. Então mas a empresa não lhe paga o suficiente?

Asfixia criativa

Tudo o que o trabalhador criar no local e tempo de trabalho, nem que seja uma escultura de papel mascado, ou uma pilha de copos de água vazios, é propriedade da empresa. E se tentar vender a escultura, todo o rendimento tem de ser dado à empresa, e em seguida hipotecar a casa e o resto tal como na cláusula anti-espião.

E existem mais algumas que não saem do normal e que não vou estar a descrever. O meu conselho? Leiam sempre com atenção os contratos de trabalho. Não vão vocês inventar a cura para o cancro numa pausa de sono a seguir ao almoço e depois quem recebe os lucros é a empresa…

09 agosto 2012

Centros de Competências em Portugal

Este post revela o meu pequeno lado comunista, pelo que não se aconselha aos leitores mais sensíveis.

Parece que são boas notícias para Portugal. Os sucessivos centros de competências de empresas ligadas às tecnologias continuam a querer deslocar-se para Portugal. O último foi o da Vodafone, que ganhou o concurso para que o centro de monitorização de rede da Península Ibérica ficasse por cá. E pensam transferir mais competências dos outros países europeus também para cá. Boa notícia porque gera empregos, mas a que custo?

Na minha demandada por empregos nos últimos tempos, tenho-me apercebido que não há falta de oportunidades no mundo das tecnologias. O que há, sim, é um aproveitamento das empresas, com a desculpa da crise e da troika e de não sei mais o quê, para baixar consideravelmente os ordenados. Já recebi mesmo proposta que considero completamente ridículas, indecentes e absurdas. Propostas que como é óbvio, recusei, porque me recuso pagar para trabalhar.

Por isso, as sucessivas transferências de centros de competências para o nosso país, ninguém me convence que não são relacionadas com o custo do trabalho estar muito menor agora que há alguns anos atrás. Somos de facto muito competentes no que fazemos, e por isso tecnicamente somos bons. Mas se não fossemos baratos comparativamente ao resto da Europa, isto nunca aconteceria. Tal como se prevê que daqui a alguns anos quando a situação se inverter (espero eu), esses mesmo centros se desloquem para um outro país qualquer com mão de obra mais barata. Porque economicamente, é assim que funciona e é como sempre funcionou.

11 julho 2012

Mudar de roupa

Isto foi uma das tarefas que mais vezes fiz hoje, e que tenho feito neste processo de ir a entrevistas ao longo das últimas semanas. Para terem uma ideia do que estou a falar, hoje o meu dia foi assim:

- Acordei cedo e tinha o pijama vestido.

- Depois do banho e da barba feita, vesti roupa para andar por casa, ou seja, uns calções e uma t-shirt preta.

- Recebo um telefonema para uma entrevista ainda da parte da manhã, e toca a vestir o fato para sair.

- Regresso da entrevista, e visto roupa jeans e uma t-shirt para ir comprar o almoço.

- Troco de camisa para ir trabalhar, mantendo os jeans.

- Regresso a casa depois do trabalho e volto a vestir o fato para ir a outra entrevista.

- Regresso a casa depois da entrevista e visto a roupa para o futebol: calções, meias e camisa apropriadas.

- Chego a casa do futebol, tomar banho, e vestir novamente roupa para andar por casa (já descrita em cima)

- E antes de ir dormir voltarei a vestir o pijama, se não me esquecer e não adormecer com a roupa que tenho vestida.

Nem quero imaginar, nem nunca contei o tempo que trocar de roupa me ocupou ao longo do dia. Mais um pouco e posso ir para o circo fazer um número qualquer de transformismo.

No meio disto tudo o que vale é que como ando sempre pouco tempo com a mesma roupa, ela é reaproveitada, com as devidas exceções, o que nem resulta em muita roupa para lavar.

29 junho 2012

Não se trabalha, colabora-se.

Durante a minha pesquisa de emprego, que ainda decorra à data deste post, verifico que a maior parte das empresas da minha área de competências, quase todas elas ligadas à consultoria e outsourcing, não têm trabalhadores. Têm sim algo completamente diferente a que chamam colaboradores. Em termos práticos, a diferença é nenhuma. A minha teoria é que essas empresas acham que trabalhador é uma palavra demasiado comunista para ser aplicado a um trabalho, perdão, uma colaboração, que tem tudo de capitalista.

Na iminência de também eu vir a ser um colaborador de uma dessas empresas, já me imagino com o meu discurso depois de um dia de trabalho, perdão novamente, um dia de colaboração, ao chegar a casa:

- Então, que tal foi o teu dia de colaboração?

- Foi bom, mas temos muita colaboração pela frente. E ainda por cima ganhámos um projeto novo em que vou ter de colaborar em acumulação com a colaboração que já tinha antes.

- Mas vais fazer isso sozinho?

- Não. Vou ter de colaborar com o Zé, que é um tipo porreiro, e com o Quim, que não gosto nada de colaborar com ele.

- Então porquê?

- Porque ele tem uns métodos de colaboração estranhos, e que não costumam resultar muito bem quando tem de colaborar com outras equipas.

E assim sucessivamente…

Se alguém souber a razão pela qual se deixou de trabalhar para passar a colaborar, agradeço que me informe. É que estou realmente curioso, e dá muito trabalho, perdão, muita colaboração, investigar isso.

05 junho 2012

E ao fim de 13 voos…

…as bagagens não se perderam! Isto é de facto um grande feito, pois com tantos voos na viagem a probabilidade de ficar sem bagagem é muito grande. A maior parte dos voos são curtos, inferiores a 2 horas, mas no voo de regresso, que são 3 escalas, a probabilidade é ainda maior.

Como tal, estou de volta ao nosso pequeno burgo, a tempo de me atualizar das notícias que por cá andam, preparar-me para o Euro2012, e recuperar de um jet-lag valente antes de voltar ao mundo real.

11 maio 2012

Todos os dias da nossa vida

Foi um planeamento de cerca de 6 meses. Com excitação, emoções, algumas desilusões, ajustes, burocracia, reuniões, e muitos preparativos. Mas que foi essencialmente um tempo de aproximação e um teste de vida a dois como nunca havíamos feito antes. Onde é preciso falar, compreender e ceder.

Desde o início que tudo tem sido preparado com o devido cuidado. Não que esperamos que tudo saia perfeito, que na imperfeição também há beleza, e bons momentos para rir mais tarde. Mas para que tudo corra pelo melhor. Por nós e por todos os que irão partilhar connosco a nossa alegria e felicidade.

Sozinhos não o teríamos conseguido. Mais do que esforço financeiro que é necessário, o esforço humano é superiormente importante. O esforço incansável das nossas famílias próximas, e dos nossos amigos é algo que é demasiadamente precioso para ter valor. Este dia também será para eles o culminar de meses de esforço e dedicação. E para eles será a festa.

Numa altura em que os nervos e a ansiedade se confundem numa mistura de sentimentos, hora para relaxar. Há que aproveitar o dia o melhor possível para poder disfrutar no dia seguinte.

Foi um planeamento de cerca de 6 meses. Para um grande projeto até ao fim das nossas vidas.

04 maio 2012

Encomendas online – parte III, o final épico

E cerca de duas semanas e meia depois da encomenda feita, ela chegou mesmo a casa. Entregue pela Chronopost, depois de muita insistência e perseverança para que chegasse a tempo e horas. E apesar do stress do atraso, de facto chegou a horas.

Mas quando tudo parecia bem, eis que ao abrir a encomenda, um dos itens era diferente do que tinha encomendado. Na prática não é nada de preocupante já que são 100% compatíveis. A única questão é que estes custam metade do preço dos outros, logo, a mesma loja que se enganou no endereço também me estava a ir ao bolso.

Após enviar um e-mail a pedir justificação, eles respondem indicando que foi um erro da parte deles e que me vão devolver, uma fortuna, imagine-se, 5 libras. Apesar de me continuarem a ir ao bolso, já que 5 libras é apenas a diferença de um dos itens (e eu encomendei 5), deixo passar a situação que já estou farto destes caramelos.

E no rescaldo da aventura, não se livraram do feedback negativo que lhes dei e dos comentários nada abonatórios que escrevi na opinião sobre o vendedor. Estes comentários e feedback ficam disponíveis para os próximos clientes da Amazon, que na altura podem ou não decidir por esta loja. A minha parte ficou feita, e a encomenda pronta a usar, que é o que me interessa.

03 maio 2012

O Centro de Emprego tem uma proposta

Confesso que não estava à espera de chegar a Maio e ainda não ter emprego. Não se trata, de todo, de desespero, até porque as entrevistas têm sido mais que muitas. Mas por uma razão ou por outra, essencialmente porque os ordenados estão extremamente baixos, mas isso será outra discussão, ainda não tive propostas concretas.

E como se não bastasse a minha vida super agitada nesta altura, a uma semana do grande evento, o Centro de Emprego de Leiria envia-me uma carta requerendo a minha presença, para a apresentação de uma proposta de emprego. Isto sim é novidade, que não estava mesmo à espera que o Centro de Emprego me arranjasse algo.

Bom, como sou obrigado a comparecer a não ser que esteja em estado vegetativo num hospital qualquer, lá vou eu desde Lisboa (que era onde eu estava) para comparecer no Centro de Emprego.

Após o normal tempo de espera para ser chamado ao andar de cima, lá sou entrevistado por uma cara conhecida, que me diz que a proposta é para a Nokia-Siemens em Alfragide, mas que não têm mais nenhuma informação.

- Mas mais nada? Nem o ordenado, nem as qualidades técnicas ou pessoais, certificações necessárias ou disponibilidade?

- Lamento, mas não tenho mesmo mais nada. Mas não é obrigado a aceitar.

- Assim é difícil. Isto pode-se revelar uma perda de tempo tanto para mim como para a Nokia-Siemens. Mas como eu quero trabalhar e não nego uma proposta que desconheço, vamos então avançar.

Depois de preencher os meus dados numa tabela que há-de seguir para Coimbra e depois para a Nokia-Siemens, fico a saber que o próximo passo partirá da empresa, que me há-de telefonar.

Com a sorte que tenho nestas coisas, irei receber o telefonema durante as minhas férias e enquanto estiver debaixo de água. Mas paciência, se estiverem mesmo interessados, hão-de insistir. Se não estiverem, não há problema, há mais quem esteja.

02 maio 2012

Encomendas online – parte II

Sabendo que a encomenda estava a caminho, fui pesquisando no site da transportadora o estado do pacote. Esta informação graças ao contacto com o fornecedor, que me forneceu o referido código de referência da transportadora para avaliar o percurso do pacote. Passou do Reino Unido para a Alemanha, e entrou em Portugal por Valongo.

A transportadora de origem não tem representação em Portugal. Assim, esta é representada pela Chronopost, que através do seu site permite fazer o tracking quase em tempo real do pacote. Permitiria, se:

  • Eu soubesse a referência da Chronopost (e não a da transportadora de origem)
  • O site funcionasse como deve de ser em vez de dar sempre erro na pesquisa.

Assim, resolvo contactar para o número de apoio da Chronopost para saber como anda a entrega.

Após 5 minutos a ouvir publicidade gratuita sobre os produtos Chronopost, sou finalmente atendido. Digo que espero uma encomenda que foi enviada do estrangeiro por outra transportadora, ao que me dizem que têm de transferir a chamada para a colega Margarida.

A chamada é transferida e sou atendido por outra pessoa. Digo novamente o que se passa, e dizem-me exatamente o mesmo, transferindo a chamada para a Margarida.

Novamente atendido por outra pessoa. Novamente explico o que pretendo. Novamente a chamada é transferida para a Margarida. E o telefone chama, chama, chama, e chama. Passados 25 minutos, desligo.

Volto a tentar novamente passado mais algum tempo, e desta vez, o percurso da chamada é novamente o mesmo, mas resolvo esperar menos tempo. Desligo ao fim de 10 minutos.

Deixo passar a hora de almoço e após o primeiro atendimento, a chamada é transferida para a Margarida. Enquanto o telefone chama, começo a duvidar se a Margarida não é um código qualquer para colocar os clientes em espera infinita até se fartarem de ter o telefone no ouvido. Até que finalmente sou atendido pela Margarida.

A Margarida faz-me então a pesquisa que preciso e diz-me que o pacote já está em Leiria para ser entregue. Ao confirmar a morada, reparo que se enganaram no número da porta (ah, então foi por isso que não conseguiram entregar, seus estúpidos!).  Corrijo a morada e forneço o meu número de telemóvel caso haja alguma dificuldade em entregar o pacote.

À hora que escrevo esta posta, a encomenda ainda não chegou. Segundo a última atualização, está em armazém em Leiria, e será entregue amanhã. A ver vamos, mas de manhã já podem contar com mais um telefonema para lhes moer o juízo. E fá-lo-ei até que se resolvam de facto a entregar a encomenda.

24 abril 2012

Encomendas online

Fiz uma encomenda online num site estrangeiro, como o faço muitas outras vezes. Até hoje, mais dia menos dia, as encomendas foram sempre entregues a tempo e horas. Mas desta vez não.

Como o pedido que fiz continha vários itens, recebi durante a mesma semana, os vários pacotes, todos eles oriundos do mesmo país. Todos? Não. Um irredutível pacote contendo algo que eu necessito para os próximos dias, teimava em não aparecer, mesmo depois do pedido de preenchimento do inquérito de satisfação do site.

Tentei averiguar o que se passava, usando os contactos disponíveis online, e vim a saber que o referido pacote estava a ser devolvido ao remetente, pois a transportadora não o conseguiu entregar.

Apesar da vontade do fornecedor em me devolver o dinheiro da compra, refutei, exigindo os itens novamente, uma vez que já que os comprei é mesmo porque preciso deles. Se não precisasse não os iria comprar. Ao que eles prontamente acederam ao meu pedido de reenvio por correio expresso para a mesma morada.

A alternativa que eu tinha era encomendar noutro site, noutro fornecedor, e esperar que o mesmo fosse entregue a tempo e horas. Vamos ver se chega dentro do prazo de uma semana que eu atribuí para que chegasse.

17 abril 2012

Dossier de competências

A maior parte das empresas que nesta altura do campeonato da crise contratam na área das Tecnologias da Informação são consultoras. Isto porque as grandes empresas não querem aumentar os seus quadros, devido às exigências de gastos, mas isso é outra história que brevemente poderei colocar noutra posta deste blog.

Eu não me importo de trabalhar para uma consultora. Na prática, trabalhamos sempre para um cliente final, só que quem nos paga é a consultora. Seja. Não me afeta esse tipo de serviço.

Para já devo dizer que o termo “consultor” está tão vago nos últimos tempos que evoluiu desde a pessoa que era consultada para prestar uma análise ou uma opinião, até à pessoa que implementa e que é escravizada pelo empregador. Um limpador de casas de banho pode, hoje em dia, ser chamado de consultor de higiene e limpeza, valha-nos alguém. Aposto que o Louçã iria gostar desta categoria profissional politicamente correta.

Agora, o que mais me aborrece com estas entrevistas nas consultoras, é que cada uma tem uma espécie de template para o Curriculum de cada um dos seus consultores. A isto chamam Dossier de Competências. Nome pomposo já tem. E para que serve? Não sei. Pelo menos serve para perder algum tempo a transpor a informação do CV naquele template que é exigido pelas consultoras.

O pior de tudo é que dentro das próprias consultoras, há vários templates. Já me aconteceu com o espaço de 3 meses ter de preencher de novo o template da mesma empresa porque já não era igual. Já para não falar no problema de comunicação interna que elas revelam em alguns casos. Mesmo sendo para áreas diferentes dentro da mesma empresa, as bases de dados de candidatos têm alguns problemas. Enfim, faz parte do trabalho de quem anda à procura de emprego.

13 abril 2012

Consulta do Viajante

Hoje voltei a ir a uma consulta do viajante. Ocorreu em Leiria, e até nem vou para nenhum país africano ultra perigoso, mas mais vale andar informado. E a coisa demorou a manhã toda.

Chegado às 9h ao Centro de Saúde dos Marrazes, é feita a inscrição de todos os que marcaram a consulta. No dia de hoje foram 10, faltaram 2, e eu era o número 9. Após tudo registado, hora da palestra comum com a Dr.ª Silva.

Não sei se estava relacionado com o facto da Dr.ª ter feito urgência de noite, ou se é mesmo assim o feitio dela, mas pareceu um pouco irritada, mas no entanto, com suficiente sentido de humor, dentro da seriedade possível, para me rir de vez em quando com a palestra. Esta foca-se muito nos países africanos, para onde viajavam a maior parte dos presentes, e desmistifica muitas ideias comuns das profilaxias da malária.

- Eu estou enjoada de ter trabalhado esta noite e estou aqui, não estou? Por isso, deixem de ser mariquinhas com o enjoo da profilaxia e tomem para vosso bem.

Foi apenas uma das muitas tiradas de humor da Dr.ª. Apesar de irritada, pareceu-me muito competente, e a própria não deixava passar a oportunidade de puxar dos galões dos seus 30 anos de medicina e 10 de consulta do viajante. A palestra é comum porque a maioria dos cuidados a ter neste tipo de viagens é igual independentemente do destino.

Depois da palestra, vêm as consultas individuais, a qual no meu caso ocorreu já passava do meio dia. Quando olhou para os marcadores da Hepatite A, virou-se para a enfermeira estagiária que lá estava a aprender:

- Este gajo só fez uma dose da vacina da Hepatite A!

- Esse gajo sou eu…

- Pois, você só fez uma dose da vacina. Vai fazer a outra hoje.

Querias sair daqui sem ser vacinado? Ora toma que já almoçaste.

- Vai para onde? Ah, vai laurear a pevide, ver as montras. Só precisa dessa dose da Hepatite A e pode ir descansado. Não faz profilaxia da malária que não é preciso para onde vai, mas tem de usar repelente na mesma.

Antes de sair, ainda mais uma pergunta com direito a humor:

- Dr.ª, na palestra falou que em caso de febre deve-se tomar sempre paracetamol e não os outros. Mas eu sou alérgico – digo-lhe eu.

Ao que entre o irritado e o surpreendido, responde:

- MAS QUEM É QUE O MANDA SER ALÉRGICO AO PARACETAMOL??????

- Não tenho culpa…

- Pois, quem não tem pão, come broa. Qual é que costuma tomar? Brufen? Então vai levar esse na receita em vez do Ben-U-Ron.

E assim lá fui comprar a vacina à farmácia da Gândara, para levar ainda no mesmo centro de saúde, o que aconteceu já passava das 13h. Ao entrar na sala de vacinação, diz-me a enfermeira:

- Só uma? Ora bolas, tenho estado a dar 3 e 4 de cada vez e agora só dou uma…

Confesso que fiquei assustado, mas ela afinal estava só a brincar.

Resultado da Consulta do Viajante: uma manhã de espera, uma vacina e um monte de conselhos e informações úteis.

02 abril 2012

Espectativas Salariais

“Então e quais são as suas espectativas salariais?”

Esta é uma pergunta que é rotineira em todas as entrevistas onde tenho ido. Por alguma razão obscura, que quero chamar de falta de transparência, as empresas portuguesas nunca anunciam quanto estão dispostas a pagar quando publicam os anúncios. Salvem-se as honrosas exceções, que também as há.

Contrariamente aos anúncios estrangeiros, o intervalo salarial raramente é publicado no anúncio em Portugal. Acredito que seja uma manobra das empresas de terem esperança de os candidatos baixarem as calças o suficiente para que peçam bastante menos que as empresas estão dispostas a pagar, para assim pouparem alguns trocos em recursos humanos. No entanto isto tem também o senão de essencialmente, me fazer perder o meu precioso tempo, bem como perder o tempo às empresas que me telefonam e me entrevistam.

Tipicamente quando revelo as minhas “espectativas salariais”, sejam elas quais foram, fazem sempre um ar de que está acima das possibilidades da empresa, na tentativa de negociar. Mas também as há que não podem mesmo negociar e que apenas me fizeram perder tempo. Se tivessem anunciado logo quanto seria a margem salarial seria menos um Curriculum que receberiam, e menos uma entrevista que fariam.

22 fevereiro 2012

O Carnaval da Troika

No primeiro dia da Troika em Portugal, o Governo da altura liderado pelo pseudo-engenheiro Sócrates, resolveu dar tolerância de ponto na quinta-feira santa. Ora, primeira impressão de quem nos ía emprestar dinheiro: eles não estão assim tão mal, já que nós (troika) somos os únicos a trabalhar neste momento.

Passados alguns meses e num novo Governo, este decide não dar a tolerância de ponto habitual no dia de Carnaval, gerando protestos atrás de protestos. Concordo que o anúncio foi tarde, pois os preparativos para os maiores carnavais são feitos com muito mais tempo de antecedência. Não obstante, cerca de dois terços dos municípios fizeram ouvidos moucos e bora lá a desfilar na terça-feira, a dizer mal do Governo e dos políticos, que isto é sempre culpa deles.

O Carnaval coincidiu com uma nova visita da troika, que desta vez repararam num país parado no trabalho, mas em grande movimento com muita cor e folia. Ora, quem nos vê de fora a festejar desta forma, o que pensa? Que parece que a austeridade ainda não é suficiente, pois com todas aquelas medidas este povo consegue ter alegria para festas.

Devo dizer que os alemães, sérios, cinzentos e sempre carrancudos, devem ficar piursos com esta nossa alegria. Enquanto eles levam a vida sempre séria e sem diversão, mas com dinheiro, nós, os “do sul” podemos andar tesos, mas nunca nos tiram a nossa alegria. Vai daí, não me admira que ainda imponham mais austeridade para que nos tornemos de facto sizudos e desenxabidos, como quem nos empresta dinheiro parece que pretende fazer. Como se eles fossem o modelo a seguir.

Não quero com isto dizer que tudo o que façamos seja bem feito ou mal feito. Mas de facto há muita coisa que nos podem tentar tirar, mas enquanto tivermos a nossa alegria tão tipicamente latina, não há males, por piores que sejam, que nos deitem abaixo. Pois faz parte de nós e da nossa identidade. E da qual eu gosto de fazer parte.

15 fevereiro 2012

Moda de empreendedorismo

A reportagem de capa da revista Visão desta semana chamou-me a atenção. O tema era precisamente o cada vez mais crescente número de pessoas, que devido à crise, ou a querer mudar de hábitos, ou simplesmente porque sim, aderiram à “moda da marmita”.

A moda da marmita passa por levar o almoço e alguns extras a partir de casa, em marmitas. O almoço é passado geralmente na copa da empresa (a maior parte das empresas tem uma copa, e é obrigatório para empresas acima de um certo número de empregados), na companhia de outros marmiteiros, que convivem e almoçam juntos. A moda permite essencialmente poupar dinheiro, que não se gasta no almoço em restaurante ou centro comercial, e em princípio, comer mais saudável, já que é tudo preparado em casa.

Mas o que mais me chamou a atenção não é o facto de haver um crescente número de adeptos da marmita. É sim o facto de pessoas com espírito empreendedor e ideias de génio, que souberam aproveitar o mercado e a moda atual para criar negócio. Negócios que passam por vender marmitas com design e funcionalidades interessantes, e até os porta-lancheiras, com design e padrões que parecem autênticas bolsas de senhora, a condizer com os vários sapatos das mesmas.

E é precisamente nestes tempos em que toda a gente chora por causa da “crise” que se vê quem realmente aproveita as oportunidades. E são empreendedores como os descritos no artigo da Visão que são precisos para nos elevar o ego e o PIB.

13 janeiro 2012

Uma digna sexta-feira 13

O dia até começou fofinho, com as minhas gatas a fazerem-me companhia de manhã. Levanto-me para aproveitar o dia relativamente cedo, e vou até ao Gabinete de Inserção Profissional, na Câmara Municipal da Batalha, para a primeira das apresentações quinzenais relativas ao Centro de Emprego.

Lá chegado, sou logo atendido, já que não há fila, e a senhora pergunta-me se é a primeira vez. Dou-lhe a folha da presença, e ela entretanto dá-me outra para preencher que mais parece um Curriculum especial. Eis senão quando, a senhora me diz que não consegue passar a declaração porque o processo parece estar Indeferido, e como tal não preciso de me apresentar em lado nenhum.

- Indeferido? Mas porque razão? Perguntei eu. Ela disse que não conseguia saber, mas para eu me dirigir à Segurança Social da Batalha para esclarecer o assunto.

E lá fui eu, onde ao ser atendido, expliquei a situação. O senhor lá conseguiu ver que tinha sido indeferido por não ter sido considerado desemprego involuntário.

- Mas qual foi a parte de “despedimento coletivo por iniciativa do empregador” que não souberam ler? Todos os papéis estão corretos e com essa informação!

- Pois, não lhe sei dizer. Aconselho-o a ligar para a Segurança Social de Leiria. Peça para falar com a secção de desemprego. Mas ligue só a partir das 14h30, que eles só atendem de tarde.

Voltei a casa, eram umas 11h da manhã. Ao tentar sair com o carro, os stops não trabalhavam. Ora, em vez de ir até Leiria resolver logo o problema localmente, tive de levar o carro à oficina. Pelo menos o problema era simples e ficou arranjado praticamente na hora. Depois do almoço, espero pelas 14h30 para ligar para a Segurança Social, tal como fui instruído. Quando peço para ligar à secção de desemprego, a resposta que tenho:

- Só funciona às sextas-feiras até às 12h30. Agora só na próxima sexta-feira!

- F0d@-s3!!!!!!!!

Lá arranco eu então para Leiria, para resolver o problema pessoalmente e in loco. Tiro o ticket de estacionamento, e eram 15h05 quando tiro a senha N76, onde ainda estava a ser chamado o N60. 16 pessoas à minha frente, nunca mais daqui saio, principalmente porque isto fecha às 16h. Enquanto espero, ligo para a Segurança Social direta, onde espero que me possam resolver o problema por telefone.

A senhora lá me pergunta uma série de dados de identificação, por questões (chatas) de segurança, e depois de lhe explicar a situação diz-me que o processo está ainda em análise. O problema, diz-me ela, é com o Centro de Emprego, que é a entidade responsável pela apresentação quinzenal, e como tal o problema deve ser com eles.

- Bolas! Lá vou eu para o Centro de Emprego de Leiria, que para quem não sabe é na outra ponta da cidade. Chego lá cerca das 15h25, e sou atendido cerca das 15h30, uma vez que não tenho que esperar na fila, dirigindo-me logo ao segurança que me pede para esperar até ser chamado. Ao explicar a situação à senhora, diz-me ela:

- Isso é com a Segurança Social!

- Mau! Mas eu vim de lá agora e disseram-me que o processo estava em análise. Que o problema era vosso. Não me apetece andar aqui a servir de bola de ping-pong!

Ela aponta com o rato no campo do monitor que mostra o processo como indeferido, e diz-me relativamente irritada:

- Está a ver? Nós não conseguimos mudar isto! Esta informação quem a dá é a Segurança Social. Eu explico-lhe o processo…

- Mas eu não quero saber como funciona o processo, quero é saber o que posso fazer para resolver a situação! Houve claramente um engano entre vocês e a Segurança Social!

- Nosso, não houve nenhum engano, que nós não conseguimos mudar o estado do processo. Posso-lhe imprimir este écran, e você vai à Segurança Social e mostra-lhes isto. Entretanto passo-lhe uma declaração de presença manual, que enquanto o processo estiver indeferido não podemos passar por computador. E daqui a 15 dias tem de vir aqui ao Centro de Emprego apresentar-se.

Às 15h45 lá arranco eu para a outra ponta da cidade novamente, onde chego à Segurança Social às 15h55, com o número N73 a ser atendido. Pelo menos ainda posso usar a mesma senha, tal como usei o mesmo ticket do parque que até já tinha expirado.

Ao ser atendido cerca de 20 minutos depois, a senhora até parece dar a entender que não sou o único na mesma situação. E após alguma conversa, vai enviar o processo para reanálise.

Espero que desta vez leiam tudo como deve de ser, para que eu não tenha de andar a saltar de um lado para outro novamente.

02 janeiro 2012

Ano novo (o da crise)

Mais um ano que passou, e mais uma vez foi passado no Porto, à semelhança do ano passado, debaixo do fogo da Avenida dos Aliados, que por pouco não o via.  E como não podia deixar de ser, em vez das detestáveis passas, foram mais uma vez 12 m&m’s, já numa tradição pessoal, que cumpriram os habituais desejos.

Desta vez os m&m’s usados foram a versão crispy, com arroz tufado no interior. São os meus preferidos, e como são maiores que os de chocolate usados nos anos anteriores, pode ser que o ano seja também ele melhor.

E que desejos para o ano que agora chegou? As coisas normais. Já sei que irá ser um ano de grandes mudanças, a começar por profissionais (já relatadas aqui), e portanto os desejos virão por arrasto. Trabalho, saúde e amor, é o que interessa. Felizmente nestes dois últimos estou bem servido, até pelos recentes testes ao coração. O trabalho logo se resolverá, até porque não sou pessoa de baixar os braços, nem sequer de desesperar com a situação.

Portanto, num ano que se prevê de “crise”, para os meus lados é um ano de mudança. E não são as crises janelas de oportunidade para efetuar mudanças nas nossas vidas? Pois então, vem mesmo a calhar.

30 dezembro 2011

Centro de Emprego

Sempre me foi dito que era preciso chegar muito cedo ao Centro de Emprego para poder ser atendido em tempo útil. Como hoje foi o último dia útil de 2011, e para aproveitar ainda a lei do subsídio de desemprego deste ano, resolvi não arriscar e fui até ao Centro de Emprego de Leiria logo pela manhã.

Eram cerca de 8h20 e estavam –2º na rua quando cheguei. Já lá estavam 13 pessoas, em que a primeira da fila chegou às 7h15 (minha nossa!). E apesar do frio, o pessoal vai conversando uns com os outros, contando as suas aventuras, como se nos conhecêssemos há imenso tempo.

Já quase sem a ponta do nariz e com os dedos enregelados, mesmo com luvas, quando a porta se abriu às 9h00 foi vê-los a entrar para a sala um pouco mais quente, retirando a respetiva senha,  à espera da sua vez.

Demorei cerca de 20 minutos a ser chamada a minha senha, no balcão da inscrição, o que nem foi mau. A maior espera foi depois para a entrevista, que só aconteceu uma hora depois e durou cerca de 20 minutos.

E durante a entrevista, em que a senhora me explicava os procedimentos que eu tinha de fazer se quisesse fazer isto ou aquilo, eu só perguntava se os podia fazer pela net. Cheguei à conclusão que algumas coisas até dão para fazer. No entanto, a visita quinzenal ao local de apresentação, que mais parece que estamos com termo de identidade e residência, tem mesmo de ser feita presencialmente na zona da residência.

Por volta das 11 horas estava de saída com uma pasta com uns quantos formulários e as dúvidas esclarecidas. A última (e primeira) vez que isto me tinha acontecido foi em 2003, e as regras eram bastante diferentes. Muito provavelmente terei que me apresentar na Câmara da Batalha uma ou duas vezes, mas não espero que sejam precisas mais. Afinal, os telefonemas com propostas de entrevistas até têm acontecido com bastante regularidade.

29 dezembro 2011

RIP Zapp

Terminou oficialmente hoje a minha ligação de 7 anos e 9 meses com a Zapp. Entrei oficialmente em 1 de Abril de 2004, numa altura de vacas gordas, que foram emagrecendo ao longo dos anos, até que em Novembro passado foi anunciado o fim definitivo da empresa. Com este final, houve lugar a despedimento coletivo, mas nada de choradeiras, já que o coma se prolongava há muito tempo.

Com isto começa a primeira grande mudança anunciada para o ano de 2012, que eu já tinha referido. Mudança profissional. Irei ser empregado da Segurança Social durante algum tempo, o suficiente para encontrar um novo rumo profissional, mas sem grandes pressas, já que umas férias também me irão saber bem. Só tenho de cumprir os requisitos de apresentação quinzenal e de procura ativa de emprego.

E como às vezes só precisamos de um empurrão para que a nossa vida sofra uma mudança para melhor (as mudanças não têm que ser forçosamente coisas más), este será definitivamente aquele que eu preciso e na altura mais propícia. Venha o próximo ano!