Para que os pensamentos não se percam no éter, e o fumo do pensamento não ande por aí espalhado.

11 Maio 2012

Todos os dias da nossa vida

Foi um planeamento de cerca de 6 meses. Com excitação, emoções, algumas desilusões, ajustes, burocracia, reuniões, e muitos preparativos. Mas que foi essencialmente um tempo de aproximação e um teste de vida a dois como nunca havíamos feito antes. Onde é preciso falar, compreender e ceder.

Desde o início que tudo tem sido preparado com o devido cuidado. Não que esperamos que tudo saia perfeito, que na imperfeição também há beleza, e bons momentos para rir mais tarde. Mas para que tudo corra pelo melhor. Por nós e por todos os que irão partilhar connosco a nossa alegria e felicidade.

Sozinhos não o teríamos conseguido. Mais do que esforço financeiro que é necessário, o esforço humano é superiormente importante. O esforço incansável das nossas famílias próximas, e dos nossos amigos é algo que é demasiadamente precioso para ter valor. Este dia também será para eles o culminar de meses de esforço e dedicação. E para eles será a festa.

Numa altura em que os nervos e a ansiedade se confundem numa mistura de sentimentos, hora para relaxar. Há que aproveitar o dia o melhor possível para poder disfrutar no dia seguinte.

Foi um planeamento de cerca de 6 meses. Para um grande projeto até ao fim das nossas vidas.

04 Maio 2012

Encomendas online – parte III, o final épico

E cerca de duas semanas e meia depois da encomenda feita, ela chegou mesmo a casa. Entregue pela Chronopost, depois de muita insistência e perseverança para que chegasse a tempo e horas. E apesar do stress do atraso, de facto chegou a horas.

Mas quando tudo parecia bem, eis que ao abrir a encomenda, um dos itens era diferente do que tinha encomendado. Na prática não é nada de preocupante já que são 100% compatíveis. A única questão é que estes custam metade do preço dos outros, logo, a mesma loja que se enganou no endereço também me estava a ir ao bolso.

Após enviar um e-mail a pedir justificação, eles respondem indicando que foi um erro da parte deles e que me vão devolver, uma fortuna, imagine-se, 5 libras. Apesar de me continuarem a ir ao bolso, já que 5 libras é apenas a diferença de um dos itens (e eu encomendei 5), deixo passar a situação que já estou farto destes caramelos.

E no rescaldo da aventura, não se livraram do feedback negativo que lhes dei e dos comentários nada abonatórios que escrevi na opinião sobre o vendedor. Estes comentários e feedback ficam disponíveis para os próximos clientes da Amazon, que na altura podem ou não decidir por esta loja. A minha parte ficou feita, e a encomenda pronta a usar, que é o que me interessa.

03 Maio 2012

O Centro de Emprego tem uma proposta

Confesso que não estava à espera de chegar a Maio e ainda não ter emprego. Não se trata, de todo, de desespero, até porque as entrevistas têm sido mais que muitas. Mas por uma razão ou por outra, essencialmente porque os ordenados estão extremamente baixos, mas isso será outra discussão, ainda não tive propostas concretas.

E como se não bastasse a minha vida super agitada nesta altura, a uma semana do grande evento, o Centro de Emprego de Leiria envia-me uma carta requerendo a minha presença, para a apresentação de uma proposta de emprego. Isto sim é novidade, que não estava mesmo à espera que o Centro de Emprego me arranjasse algo.

Bom, como sou obrigado a comparecer a não ser que esteja em estado vegetativo num hospital qualquer, lá vou eu desde Lisboa (que era onde eu estava) para comparecer no Centro de Emprego.

Após o normal tempo de espera para ser chamado ao andar de cima, lá sou entrevistado por uma cara conhecida, que me diz que a proposta é para a Nokia-Siemens em Alfragide, mas que não têm mais nenhuma informação.

- Mas mais nada? Nem o ordenado, nem as qualidades técnicas ou pessoais, certificações necessárias ou disponibilidade?

- Lamento, mas não tenho mesmo mais nada. Mas não é obrigado a aceitar.

- Assim é difícil. Isto pode-se revelar uma perda de tempo tanto para mim como para a Nokia-Siemens. Mas como eu quero trabalhar e não nego uma proposta que desconheço, vamos então avançar.

Depois de preencher os meus dados numa tabela que há-de seguir para Coimbra e depois para a Nokia-Siemens, fico a saber que o próximo passo partirá da empresa, que me há-de telefonar.

Com a sorte que tenho nestas coisas, irei receber o telefonema durante as minhas férias e enquanto estiver debaixo de água. Mas paciência, se estiverem mesmo interessados, hão-de insistir. Se não estiverem, não há problema, há mais quem esteja.

02 Maio 2012

Encomendas online – parte II

Sabendo que a encomenda estava a caminho, fui pesquisando no site da transportadora o estado do pacote. Esta informação graças ao contacto com o fornecedor, que me forneceu o referido código de referência da transportadora para avaliar o percurso do pacote. Passou do Reino Unido para a Alemanha, e entrou em Portugal por Valongo.

A transportadora de origem não tem representação em Portugal. Assim, esta é representada pela Chronopost, que através do seu site permite fazer o tracking quase em tempo real do pacote. Permitiria, se:

  • Eu soubesse a referência da Chronopost (e não a da transportadora de origem)
  • O site funcionasse como deve de ser em vez de dar sempre erro na pesquisa.

Assim, resolvo contactar para o número de apoio da Chronopost para saber como anda a entrega.

Após 5 minutos a ouvir publicidade gratuita sobre os produtos Chronopost, sou finalmente atendido. Digo que espero uma encomenda que foi enviada do estrangeiro por outra transportadora, ao que me dizem que têm de transferir a chamada para a colega Margarida.

A chamada é transferida e sou atendido por outra pessoa. Digo novamente o que se passa, e dizem-me exatamente o mesmo, transferindo a chamada para a Margarida.

Novamente atendido por outra pessoa. Novamente explico o que pretendo. Novamente a chamada é transferida para a Margarida. E o telefone chama, chama, chama, e chama. Passados 25 minutos, desligo.

Volto a tentar novamente passado mais algum tempo, e desta vez, o percurso da chamada é novamente o mesmo, mas resolvo esperar menos tempo. Desligo ao fim de 10 minutos.

Deixo passar a hora de almoço e após o primeiro atendimento, a chamada é transferida para a Margarida. Enquanto o telefone chama, começo a duvidar se a Margarida não é um código qualquer para colocar os clientes em espera infinita até se fartarem de ter o telefone no ouvido. Até que finalmente sou atendido pela Margarida.

A Margarida faz-me então a pesquisa que preciso e diz-me que o pacote já está em Leiria para ser entregue. Ao confirmar a morada, reparo que se enganaram no número da porta (ah, então foi por isso que não conseguiram entregar, seus estúpidos!).  Corrijo a morada e forneço o meu número de telemóvel caso haja alguma dificuldade em entregar o pacote.

À hora que escrevo esta posta, a encomenda ainda não chegou. Segundo a última atualização, está em armazém em Leiria, e será entregue amanhã. A ver vamos, mas de manhã já podem contar com mais um telefonema para lhes moer o juízo. E fá-lo-ei até que se resolvam de facto a entregar a encomenda.

30 Abril 2012

Outra vez, Jesus?

Ontem o meu Glorioso Benfica perdeu, novamente, o campeonato nacional de futebol para o FC Porto. E desta vez custou bastante mais que na época passada.

Ao contrário de clubes de bairro do Norte ou que jogam em estádios ladrilhados que quando perdem culpabilizam sempre alguma coisa, seja os túneis, os stewards, as cadeiras ou as gaiolas, nós os benfiquistas sabemos olhar para dentro. É possível que num ou noutro jogo tenhamos tido o azar de contar com um árbitro aziado, mas isso não explica como é que de 5 pontos de avanço se passa para 6 de atraso quase de repente.

Na época passada o FC Porto fez de facto uma época brilhante, e assim praticamente se perdoou ao Jorge Jesus os inúmeros pontos de atraso. Esta época, sem o efeito Villas-Boas e com um fantoche à frente da equipa tripeira, era esperado que as coisas corressem da melhor forma. E correram, até Fevereiro.

Parece que a equipa, a partir de Fevereiro, quebrou radicalmente os índices físicos. Mas foram ao Brasil desfilar em lantejoulas para ficarem assim? Ou então esta preparação física que é dada no início da época tem muito que se lhe diga, que não rende nada no longo prazo.

Jorge Jesus tem de deixar de ser casmurro e rodar mais a equipa quando os índices físicos começam a quebrar. Afinal, o plantel continuam a ser apenas 11 ou 12 jogadores e mais uns quantos para aquecer o banco?

Não sei se o Jorge Jesus fica mais uma época no Benfica ou não. Mas se ficar e se não ganha de novo o campeonato, acho que nunca mais irá voltar a entrar no estádio da Luz.

24 Abril 2012

Encomendas online

Fiz uma encomenda online num site estrangeiro, como o faço muitas outras vezes. Até hoje, mais dia menos dia, as encomendas foram sempre entregues a tempo e horas. Mas desta vez não.

Como o pedido que fiz continha vários itens, recebi durante a mesma semana, os vários pacotes, todos eles oriundos do mesmo país. Todos? Não. Um irredutível pacote contendo algo que eu necessito para os próximos dias, teimava em não aparecer, mesmo depois do pedido de preenchimento do inquérito de satisfação do site.

Tentei averiguar o que se passava, usando os contactos disponíveis online, e vim a saber que o referido pacote estava a ser devolvido ao remetente, pois a transportadora não o conseguiu entregar.

Apesar da vontade do fornecedor em me devolver o dinheiro da compra, refutei, exigindo os itens novamente, uma vez que já que os comprei é mesmo porque preciso deles. Se não precisasse não os iria comprar. Ao que eles prontamente acederam ao meu pedido de reenvio por correio expresso para a mesma morada.

A alternativa que eu tinha era encomendar noutro site, noutro fornecedor, e esperar que o mesmo fosse entregue a tempo e horas. Vamos ver se chega dentro do prazo de uma semana que eu atribuí para que chegasse.

17 Abril 2012

Dossier de competências

A maior parte das empresas que nesta altura do campeonato da crise contratam na área das Tecnologias da Informação são consultoras. Isto porque as grandes empresas não querem aumentar os seus quadros, devido às exigências de gastos, mas isso é outra história que brevemente poderei colocar noutra posta deste blog.

Eu não me importo de trabalhar para uma consultora. Na prática, trabalhamos sempre para um cliente final, só que quem nos paga é a consultora. Seja. Não me afeta esse tipo de serviço.

Para já devo dizer que o termo “consultor” está tão vago nos últimos tempos que evoluiu desde a pessoa que era consultada para prestar uma análise ou uma opinião, até à pessoa que implementa e que é escravizada pelo empregador. Um limpador de casas de banho pode, hoje em dia, ser chamado de consultor de higiene e limpeza, valha-nos alguém. Aposto que o Louçã iria gostar desta categoria profissional politicamente correta.

Agora, o que mais me aborrece com estas entrevistas nas consultoras, é que cada uma tem uma espécie de template para o Curriculum de cada um dos seus consultores. A isto chamam Dossier de Competências. Nome pomposo já tem. E para que serve? Não sei. Pelo menos serve para perder algum tempo a transpor a informação do CV naquele template que é exigido pelas consultoras.

O pior de tudo é que dentro das próprias consultoras, há vários templates. Já me aconteceu com o espaço de 3 meses ter de preencher de novo o template da mesma empresa porque já não era igual. Já para não falar no problema de comunicação interna que elas revelam em alguns casos. Mesmo sendo para áreas diferentes dentro da mesma empresa, as bases de dados de candidatos têm alguns problemas. Enfim, faz parte do trabalho de quem anda à procura de emprego.

13 Abril 2012

Consulta do Viajante

Hoje voltei a ir a uma consulta do viajante. Ocorreu em Leiria, e até nem vou para nenhum país africano ultra perigoso, mas mais vale andar informado. E a coisa demorou a manhã toda.

Chegado às 9h ao Centro de Saúde dos Marrazes, é feita a inscrição de todos os que marcaram a consulta. No dia de hoje foram 10, faltaram 2, e eu era o número 9. Após tudo registado, hora da palestra comum com a Dr.ª Silva.

Não sei se estava relacionado com o facto da Dr.ª ter feito urgência de noite, ou se é mesmo assim o feitio dela, mas pareceu um pouco irritada, mas no entanto, com suficiente sentido de humor, dentro da seriedade possível, para me rir de vez em quando com a palestra. Esta foca-se muito nos países africanos, para onde viajavam a maior parte dos presentes, e desmistifica muitas ideias comuns das profilaxias da malária.

- Eu estou enjoada de ter trabalhado esta noite e estou aqui, não estou? Por isso, deixem de ser mariquinhas com o enjoo da profilaxia e tomem para vosso bem.

Foi apenas uma das muitas tiradas de humor da Dr.ª. Apesar de irritada, pareceu-me muito competente, e a própria não deixava passar a oportunidade de puxar dos galões dos seus 30 anos de medicina e 10 de consulta do viajante. A palestra é comum porque a maioria dos cuidados a ter neste tipo de viagens é igual independentemente do destino.

Depois da palestra, vêm as consultas individuais, a qual no meu caso ocorreu já passava do meio dia. Quando olhou para os marcadores da Hepatite A, virou-se para a enfermeira estagiária que lá estava a aprender:

- Este gajo só fez uma dose da vacina da Hepatite A!

- Esse gajo sou eu…

- Pois, você só fez uma dose da vacina. Vai fazer a outra hoje.

Querias sair daqui sem ser vacinado? Ora toma que já almoçaste.

- Vai para onde? Ah, vai laurear a pevide, ver as montras. Só precisa dessa dose da Hepatite A e pode ir descansado. Não faz profilaxia da malária que não é preciso para onde vai, mas tem de usar repelente na mesma.

Antes de sair, ainda mais uma pergunta com direito a humor:

- Dr.ª, na palestra falou que em caso de febre deve-se tomar sempre paracetamol e não os outros. Mas eu sou alérgico – digo-lhe eu.

Ao que entre o irritado e o surpreendido, responde:

- MAS QUEM É QUE O MANDA SER ALÉRGICO AO PARACETAMOL??????

- Não tenho culpa…

- Pois, quem não tem pão, come broa. Qual é que costuma tomar? Brufen? Então vai levar esse na receita em vez do Ben-U-Ron.

E assim lá fui comprar a vacina à farmácia da Gândara, para levar ainda no mesmo centro de saúde, o que aconteceu já passava das 13h. Ao entrar na sala de vacinação, diz-me a enfermeira:

- Só uma? Ora bolas, tenho estado a dar 3 e 4 de cada vez e agora só dou uma…

Confesso que fiquei assustado, mas ela afinal estava só a brincar.

Resultado da Consulta do Viajante: uma manhã de espera, uma vacina e um monte de conselhos e informações úteis.

02 Abril 2012

Espectativas Salariais

“Então e quais são as suas espectativas salariais?”

Esta é uma pergunta que é rotineira em todas as entrevistas onde tenho ido. Por alguma razão obscura, que quero chamar de falta de transparência, as empresas portuguesas nunca anunciam quanto estão dispostas a pagar quando publicam os anúncios. Salvem-se as honrosas exceções, que também as há.

Contrariamente aos anúncios estrangeiros, o intervalo salarial raramente é publicado no anúncio em Portugal. Acredito que seja uma manobra das empresas de terem esperança de os candidatos baixarem as calças o suficiente para que peçam bastante menos que as empresas estão dispostas a pagar, para assim pouparem alguns trocos em recursos humanos. No entanto isto tem também o senão de essencialmente, me fazer perder o meu precioso tempo, bem como perder o tempo às empresas que me telefonam e me entrevistam.

Tipicamente quando revelo as minhas “espectativas salariais”, sejam elas quais foram, fazem sempre um ar de que está acima das possibilidades da empresa, na tentativa de negociar. Mas também as há que não podem mesmo negociar e que apenas me fizeram perder tempo. Se tivessem anunciado logo quanto seria a margem salarial seria menos um Curriculum que receberiam, e menos uma entrevista que fariam.

23 Março 2012

Os jogos da fome

Ontem a sessão de cinema foi para o filme sensação do ano, baseado numa história de ficção bastante recente de Suzanne Collins (o primeiro livro da trilogia foi publicado em 2009, o último no ano passado). O nome do filme é o mesmo do livro, “os jogos da fome” e tentando não estragar a emoção da história, devo dizer que esta é interessante.

À primeira impressão parece um filme de e para adolescentes. Mas não contrapondo essa ideia, é algo mais que isso. A história é de ficção, e passa-se num futuro não muito distante, em que os Estados Unidos sobrevivem a uma guerra civil que dá origem a um país com 12 distritos, chamado Panem. E como tributo e forma de manter a obediência, todos os anos são escolhidos dois jovens de cada distrito que irão lutar até à morte num evento intitulado precisamente “os jogos da fome”.

A história tem parecenças com “Truman Show”, no sentido em que revela que o poder das audiências se sobrepõe a qualquer preparação de combate que esses jovens possam ter. As regras do jogo mudam conforme o que o público quer, e isso revela-se trágico para uns e uma benesse para outros. No final, só pode ficar um.

O filme é muito interessante, a história é boa (fiquei com vontade de ler os livros), cheio de efeitos especiais, e com alguns atores de provas dadas, entre as quais Jennifer Lawrence, nomeada para os Óscares em 2010, e um Lenny Kravitz muito “limpinho”. Um filme que merece ser visto.

21 Março 2012

Há algo de mágico em Fátima

Hoje fui ao lugar da Cova da Iria. Não em peregrinação, que há vários anos que não o faço, mas a pedido dos meus avós que queriam lá ir. E então, com boa vontade, mas com muito custo em levantar mais cedo que o habitual nos últimos dias, acedi.

Confesso que já não ía lá há algum tempo, mas como sempre, senti que há algo de mágico naquele lugar. Não sei se foi da minha formação católica e da prática religiosa que sempre me acompanhou desde a minha juventude, mas o que é certo, é que parece que me sinto diferente quando lá estou. Uma sensação de alívio e de plenitude por estar naquele lugar repleto de Fé.

E aproveitando a deslocação, resolvi ir a uma confissão, até para me preparar para um maravilhoso sacramento que irei ter daqui a algumas semanas. Quero, na minha Fé, sentir o coração limpo para melhor o receber e viver, com toda a felicidade que me for possível.

Fátima sempre fez parte de mim enquanto católico, e irá fazer por muitos e muitos anos, mesmo agora que a minha vida irá mudar para sempre.

29 Fevereiro 2012

Andar com rodas

Ontem foi assim como mostra a foto. De Segway pela marginal do Douro. E foi uma experiência deveras interessante.

IMG_0073

Após os primeiros 30 segundos em cima da máquina, as nossas dúvidas e medos desaparecem. A coisa é mesmo fácil de operar, e o problema é quando descemos, que queremos logo voltar para ele. É engraçada a maneira como subimos e descemos ladeiras, como usamos os efeito “Vibroplate” em calçada, e nos inclinamos para a frente e para trás para acelerar e desacelerar. A descoberta do ponto de estabilidade, em que estamos parados, literalmente, também só demora uns segundos.

A parte mais interessante é em terreno plano, a acelerar desalmadamente. o Segway só atinge os 20 Km/h, mas já dá uma sensação de liberdade fenomenal.

E ao andar pelas ruas do Porto, somos realmente umas vedetas, tal os olhares de curiosos que nos vão observando ao longo do caminho. Nem imagino como será em lugares mais pequenos, como na Batalha.

Adorei andar de Segway, e acho que quero voltar a repetir. Não fosse uma máquina tão cara e pensaria mesmo em adquirir uma. Acho que a minha mãe iria adorar uma para ir ao mercado ou a minha avó para ir à missa.

26 Fevereiro 2012

Hugo Cabret

Este foi o único filme candidato ao Óscar de 2012 que consegui ver antes da cerimónia oficial. E devo dizer, sem ter visto nenhum dos outros, que gostei imenso. é um filme com uma história simples, bem estruturada, que nos faz sonhar, e essencialmente muito bem feito. Daí que praticamente todas as nomeações (que são 11) sejam técnicas, tal a beleza e arte com que foi feito.

Vença ou não as categorias em que está nomeado, até porque parece que a concorrência é muito forte este ano, o que é certo é que é um filme que deve ser visto. E não me admira que se transforme num filme de culto, de um realizador que já nos habituou a filmes desta categoria.

22 Fevereiro 2012

O Carnaval da Troika

No primeiro dia da Troika em Portugal, o Governo da altura liderado pelo pseudo-engenheiro Sócrates, resolveu dar tolerância de ponto na quinta-feira santa. Ora, primeira impressão de quem nos ía emprestar dinheiro: eles não estão assim tão mal, já que nós (troika) somos os únicos a trabalhar neste momento.

Passados alguns meses e num novo Governo, este decide não dar a tolerância de ponto habitual no dia de Carnaval, gerando protestos atrás de protestos. Concordo que o anúncio foi tarde, pois os preparativos para os maiores carnavais são feitos com muito mais tempo de antecedência. Não obstante, cerca de dois terços dos municípios fizeram ouvidos moucos e bora lá a desfilar na terça-feira, a dizer mal do Governo e dos políticos, que isto é sempre culpa deles.

O Carnaval coincidiu com uma nova visita da troika, que desta vez repararam num país parado no trabalho, mas em grande movimento com muita cor e folia. Ora, quem nos vê de fora a festejar desta forma, o que pensa? Que parece que a austeridade ainda não é suficiente, pois com todas aquelas medidas este povo consegue ter alegria para festas.

Devo dizer que os alemães, sérios, cinzentos e sempre carrancudos, devem ficar piursos com esta nossa alegria. Enquanto eles levam a vida sempre séria e sem diversão, mas com dinheiro, nós, os “do sul” podemos andar tesos, mas nunca nos tiram a nossa alegria. Vai daí, não me admira que ainda imponham mais austeridade para que nos tornemos de facto sizudos e desenxabidos, como quem nos empresta dinheiro parece que pretende fazer. Como se eles fossem o modelo a seguir.

Não quero com isto dizer que tudo o que façamos seja bem feito ou mal feito. Mas de facto há muita coisa que nos podem tentar tirar, mas enquanto tivermos a nossa alegria tão tipicamente latina, não há males, por piores que sejam, que nos deitem abaixo. Pois faz parte de nós e da nossa identidade. E da qual eu gosto de fazer parte.

15 Fevereiro 2012

Moda de empreendedorismo

A reportagem de capa da revista Visão desta semana chamou-me a atenção. O tema era precisamente o cada vez mais crescente número de pessoas, que devido à crise, ou a querer mudar de hábitos, ou simplesmente porque sim, aderiram à “moda da marmita”.

A moda da marmita passa por levar o almoço e alguns extras a partir de casa, em marmitas. O almoço é passado geralmente na copa da empresa (a maior parte das empresas tem uma copa, e é obrigatório para empresas acima de um certo número de empregados), na companhia de outros marmiteiros, que convivem e almoçam juntos. A moda permite essencialmente poupar dinheiro, que não se gasta no almoço em restaurante ou centro comercial, e em princípio, comer mais saudável, já que é tudo preparado em casa.

Mas o que mais me chamou a atenção não é o facto de haver um crescente número de adeptos da marmita. É sim o facto de pessoas com espírito empreendedor e ideias de génio, que souberam aproveitar o mercado e a moda atual para criar negócio. Negócios que passam por vender marmitas com design e funcionalidades interessantes, e até os porta-lancheiras, com design e padrões que parecem autênticas bolsas de senhora, a condizer com os vários sapatos das mesmas.

E é precisamente nestes tempos em que toda a gente chora por causa da “crise” que se vê quem realmente aproveita as oportunidades. E são empreendedores como os descritos no artigo da Visão que são precisos para nos elevar o ego e o PIB.

25 Janeiro 2012

Alimentar todos os sentidos

Esta semana fui ao restaurante de um dos júris do Masterchef português. Mais precisamente ao 100 maneiras, do chef Lubomir Stanisic, situado em pleno Bairro Alto, bem no meio da diversão noturna de Lisboa.

O restaurante (também há um bistro não muito longe com outro tipo de opções para comer e beber) tem apenas uma única ementa e é para degustação. São 10 pratos, custo fixo por pessoa, que podem ser acompanhados igualmente por uma degustação de vinhos, paga à parte.

A pergunta que nos fazem quando nos sentamos é sobre as nossas restrições na comida. Apesar de eu ser esquisito com o comer, a única restrição que coloquei foi camarão. Tudo o resto estive disposto a provar.

Prato após prato os sentidos iam mergulhando numa aventura gastronómica. É normal os olhos comerem primeiro, e comeram tal a arte com que todos os pratos vinham servidos. O nariz também sentiu os aromas agradáveis da comida. Mas o paladar, deliciou-se num mundo de sabores e texturas sem igual, onde o mais ínfimo pormenor não foi deixado ao acaso. Devo dizer que foi a melhor experiência gastronómica que tive até hoje.

DSC00311

Como pormenor, devo referir que nós éramos os únicos portugueses no restaurante, para além dos empregados. As restantes mesas, que não são muitas, estavam ocupadas com estrangeiros. O preço não é para todas as bolsas, mas como experiência gastronómica e para quem gosta realmente de comida, é um local obrigatório. E não pensem que se fica com fome, que os 10 pratos alimentam bastante, incluindo as duas magníficas sobremesas.

13 Janeiro 2012

Uma digna sexta-feira 13

O dia até começou fofinho, com as minhas gatas a fazerem-me companhia de manhã. Levanto-me para aproveitar o dia relativamente cedo, e vou até ao Gabinete de Inserção Profissional, na Câmara Municipal da Batalha, para a primeira das apresentações quinzenais relativas ao Centro de Emprego.

Lá chegado, sou logo atendido, já que não há fila, e a senhora pergunta-me se é a primeira vez. Dou-lhe a folha da presença, e ela entretanto dá-me outra para preencher que mais parece um Curriculum especial. Eis senão quando, a senhora me diz que não consegue passar a declaração porque o processo parece estar Indeferido, e como tal não preciso de me apresentar em lado nenhum.

- Indeferido? Mas porque razão? Perguntei eu. Ela disse que não conseguia saber, mas para eu me dirigir à Segurança Social da Batalha para esclarecer o assunto.

E lá fui eu, onde ao ser atendido, expliquei a situação. O senhor lá conseguiu ver que tinha sido indeferido por não ter sido considerado desemprego involuntário.

- Mas qual foi a parte de “despedimento coletivo por iniciativa do empregador” que não souberam ler? Todos os papéis estão corretos e com essa informação!

- Pois, não lhe sei dizer. Aconselho-o a ligar para a Segurança Social de Leiria. Peça para falar com a secção de desemprego. Mas ligue só a partir das 14h30, que eles só atendem de tarde.

Voltei a casa, eram umas 11h da manhã. Ao tentar sair com o carro, os stops não trabalhavam. Ora, em vez de ir até Leiria resolver logo o problema localmente, tive de levar o carro à oficina. Pelo menos o problema era simples e ficou arranjado praticamente na hora. Depois do almoço, espero pelas 14h30 para ligar para a Segurança Social, tal como fui instruído. Quando peço para ligar à secção de desemprego, a resposta que tenho:

- Só funciona às sextas-feiras até às 12h30. Agora só na próxima sexta-feira!

- F0d@-s3!!!!!!!!

Lá arranco eu então para Leiria, para resolver o problema pessoalmente e in loco. Tiro o ticket de estacionamento, e eram 15h05 quando tiro a senha N76, onde ainda estava a ser chamado o N60. 16 pessoas à minha frente, nunca mais daqui saio, principalmente porque isto fecha às 16h. Enquanto espero, ligo para a Segurança Social direta, onde espero que me possam resolver o problema por telefone.

A senhora lá me pergunta uma série de dados de identificação, por questões (chatas) de segurança, e depois de lhe explicar a situação diz-me que o processo está ainda em análise. O problema, diz-me ela, é com o Centro de Emprego, que é a entidade responsável pela apresentação quinzenal, e como tal o problema deve ser com eles.

- Bolas! Lá vou eu para o Centro de Emprego de Leiria, que para quem não sabe é na outra ponta da cidade. Chego lá cerca das 15h25, e sou atendido cerca das 15h30, uma vez que não tenho que esperar na fila, dirigindo-me logo ao segurança que me pede para esperar até ser chamado. Ao explicar a situação à senhora, diz-me ela:

- Isso é com a Segurança Social!

- Mau! Mas eu vim de lá agora e disseram-me que o processo estava em análise. Que o problema era vosso. Não me apetece andar aqui a servir de bola de ping-pong!

Ela aponta com o rato no campo do monitor que mostra o processo como indeferido, e diz-me relativamente irritada:

- Está a ver? Nós não conseguimos mudar isto! Esta informação quem a dá é a Segurança Social. Eu explico-lhe o processo…

- Mas eu não quero saber como funciona o processo, quero é saber o que posso fazer para resolver a situação! Houve claramente um engano entre vocês e a Segurança Social!

- Nosso, não houve nenhum engano, que nós não conseguimos mudar o estado do processo. Posso-lhe imprimir este écran, e você vai à Segurança Social e mostra-lhes isto. Entretanto passo-lhe uma declaração de presença manual, que enquanto o processo estiver indeferido não podemos passar por computador. E daqui a 15 dias tem de vir aqui ao Centro de Emprego apresentar-se.

Às 15h45 lá arranco eu para a outra ponta da cidade novamente, onde chego à Segurança Social às 15h55, com o número N73 a ser atendido. Pelo menos ainda posso usar a mesma senha, tal como usei o mesmo ticket do parque que até já tinha expirado.

Ao ser atendido cerca de 20 minutos depois, a senhora até parece dar a entender que não sou o único na mesma situação. E após alguma conversa, vai enviar o processo para reanálise.

Espero que desta vez leiam tudo como deve de ser, para que eu não tenha de andar a saltar de um lado para outro novamente.

02 Janeiro 2012

Ano novo (o da crise)

Mais um ano que passou, e mais uma vez foi passado no Porto, à semelhança do ano passado, debaixo do fogo da Avenida dos Aliados, que por pouco não o via.  E como não podia deixar de ser, em vez das detestáveis passas, foram mais uma vez 12 m&m’s, já numa tradição pessoal, que cumpriram os habituais desejos.

Desta vez os m&m’s usados foram a versão crispy, com arroz tufado no interior. São os meus preferidos, e como são maiores que os de chocolate usados nos anos anteriores, pode ser que o ano seja também ele melhor.

E que desejos para o ano que agora chegou? As coisas normais. Já sei que irá ser um ano de grandes mudanças, a começar por profissionais (já relatadas aqui), e portanto os desejos virão por arrasto. Trabalho, saúde e amor, é o que interessa. Felizmente nestes dois últimos estou bem servido, até pelos recentes testes ao coração. O trabalho logo se resolverá, até porque não sou pessoa de baixar os braços, nem sequer de desesperar com a situação.

Portanto, num ano que se prevê de “crise”, para os meus lados é um ano de mudança. E não são as crises janelas de oportunidade para efetuar mudanças nas nossas vidas? Pois então, vem mesmo a calhar.

30 Dezembro 2011

Centro de Emprego

Sempre me foi dito que era preciso chegar muito cedo ao Centro de Emprego para poder ser atendido em tempo útil. Como hoje foi o último dia útil de 2011, e para aproveitar ainda a lei do subsídio de desemprego deste ano, resolvi não arriscar e fui até ao Centro de Emprego de Leiria logo pela manhã.

Eram cerca de 8h20 e estavam –2º na rua quando cheguei. Já lá estavam 13 pessoas, em que a primeira da fila chegou às 7h15 (minha nossa!). E apesar do frio, o pessoal vai conversando uns com os outros, contando as suas aventuras, como se nos conhecêssemos há imenso tempo.

Já quase sem a ponta do nariz e com os dedos enregelados, mesmo com luvas, quando a porta se abriu às 9h00 foi vê-los a entrar para a sala um pouco mais quente, retirando a respetiva senha,  à espera da sua vez.

Demorei cerca de 20 minutos a ser chamada a minha senha, no balcão da inscrição, o que nem foi mau. A maior espera foi depois para a entrevista, que só aconteceu uma hora depois e durou cerca de 20 minutos.

E durante a entrevista, em que a senhora me explicava os procedimentos que eu tinha de fazer se quisesse fazer isto ou aquilo, eu só perguntava se os podia fazer pela net. Cheguei à conclusão que algumas coisas até dão para fazer. No entanto, a visita quinzenal ao local de apresentação, que mais parece que estamos com termo de identidade e residência, tem mesmo de ser feita presencialmente na zona da residência.

Por volta das 11 horas estava de saída com uma pasta com uns quantos formulários e as dúvidas esclarecidas. A última (e primeira) vez que isto me tinha acontecido foi em 2003, e as regras eram bastante diferentes. Muito provavelmente terei que me apresentar na Câmara da Batalha uma ou duas vezes, mas não espero que sejam precisas mais. Afinal, os telefonemas com propostas de entrevistas até têm acontecido com bastante regularidade.

29 Dezembro 2011

RIP Zapp

Terminou oficialmente hoje a minha ligação de 7 anos e 9 meses com a Zapp. Entrei oficialmente em 1 de Abril de 2004, numa altura de vacas gordas, que foram emagrecendo ao longo dos anos, até que em Novembro passado foi anunciado o fim definitivo da empresa. Com este final, houve lugar a despedimento coletivo, mas nada de choradeiras, já que o coma se prolongava há muito tempo.

Com isto começa a primeira grande mudança anunciada para o ano de 2012, que eu já tinha referido. Mudança profissional. Irei ser empregado da Segurança Social durante algum tempo, o suficiente para encontrar um novo rumo profissional, mas sem grandes pressas, já que umas férias também me irão saber bem. Só tenho de cumprir os requisitos de apresentação quinzenal e de procura ativa de emprego.

E como às vezes só precisamos de um empurrão para que a nossa vida sofra uma mudança para melhor (as mudanças não têm que ser forçosamente coisas más), este será definitivamente aquele que eu preciso e na altura mais propícia. Venha o próximo ano!

Ai, coração!

Pela primeira vez em 34 anos de vida, fui fazer exames ao coração. Não que ache que precise especialmente deles, apesar do meu ritmo cardíaco normal ser por volta das 40 pulsações por minuto, mas simplesmente porque é boa ideia e mal não faz.

Assim, usando o seguro de saúde e num hospital privado próximo de casa, fui fazer um ecocardiograma com doppler e um ECG com prova de esforço.

Adorei o ecocardiograma! Aquela maquinaria computorizada é maravilhosa e consegue mesmo ver o que se passa lá dentro. Dava para ver o coração a mexer e as válvulas a abrir e fechar. Até cores apresentava com o fluxo do sangue a percorrer os ventrículos e as aurículas. E quando foi altura de ouvir o coração, o som era parecido com o Kitt (lembram-se do justiceiro?) a varrer as luzes frontais de um lado para o outro. Que maravilha. No final de contas, parece que tenho apenas a Aurícula Esquerda com um diâmetro superior ao normal, mas parece que isso também é normal em quem pratica desporto.

Já a prova de esforço foi como ir ao ginásio andar na passadeira. E cansa como ir ao ginásio. E faz suar como ir ao ginásio. E pelos vistos faz bater o coração como se estivesse no ginásio. A diferença é que estamos em tronco nu, com umas coisas pegajosas coladas no peito e nas costas, e com os tempos cronometrados. Como se fosse um personal trainer. E até tive direito a uma depilação parcial do peito pela médica jeitosa que me fez o teste.

No fim, retirar os eléctrodos é a única parte que custa, já que parece que estamos a retirar pensos com muita cola do corpo, com toda a pelugem a ser arrancada ao mesmo tempo.

Espero agora uns dias pelos resultados dos exames, mas à primeira vista e de acordo com a opinião do Dr. Duarte Cacela, parece estar tudo bem.

24 Dezembro 2011

Natal

Gosto muito do Natal. É uma época em que sinto que ando mais lamechas. Gosto das luzes a piscar, do frio que se faz sentir e de passar os dias junto com a família, ao lado da lareira da sala. E claro, que gosto de acordar no dia seguinte e desembrulhar os presentes, sejam eles quais forem.

Mas essencialmente gosto do convívio que tenho e a proximidade com os meus irmãos e os meus pais. Parece que nesta época os problemas desaparecem e apenas nos lembramos o quanto somos importantes uns para os outros. O jantar em família, o preparar da refeição, e até as limpezas, são mais do que tarefas rotineiras, e transformam-se em convívio familiar. Um saudável convívio que se repete nesta altura do ano.

E porque é Natal, que seja mesmo um excelente Natal para todos, onde o verdadeiro espírito natalício tome conta das nossas almas, para assim o tornar mais alegre e feliz.

P.S.-Este vai ser o meu último Natal nestas condições. Esperam-me grandes mudanças durante o próximo ano, que a seu tempo falarei delas. Para já, não há razões para preocupar, porque todas as mudanças podem ser boas.

04 Dezembro 2011

Tesourinhos

Na sequência das limpezas relatadas no post anterior, algumas raridades foram encontradas e mantidas. Podem não servir para grande coisa, mas um dia até as posso doar a um museu para exposição.

ZIP Drive

DSC00034

Uma verdadeira relíquia dos tempos da faculdade. Na altura custou 30 contos (para os que não se lembram como se fazem as contas, são 150€) e foi uma necessidade para guardar os trabalhos da faculdade. Como os CDs eram apenas suportes de leitura, estas drives eram a opção existente. Os discos eram magnéticos, semelhantes a disquetes, mas com uma estonteante capacidade de 120 MB (sim, são mesmo Megabytes). A drive na figura liga-se por porta USB e ainda funciona, tal como os discos.

Discos ZIP

DSC00036

O aspecto dos discos ZIP era semelhante a uma disquete. Vejam na imagem seguinte as semelhanças. O seu funcionamento também era semelhante, mas com muito maior capacidade. Na altura da faculdade, as pens usb e os discos externos eram raros e caríssimos, pelo que a ZIP era sempre a melhor opção para transportar os dados. Tinham ainda a vantagem de ser blindadas contra interferências magnéticas, ao contrário das disquetes, que corriam o risco de perder todos os dados quando se transportavam no metropolitano.

DSC00038

Windows 3.0

DSC00035

No meio das centenas de disquetes, aparecem também algumas raridades. Entre as quais os discos de instalação de um dos Windows mais famosos de sempre, o 3.0. Para a juventude que acha que o Windows sempre foi um sistema operativo, desenganem-se. Naquela altura, o Windows era apenas um programa de ambiente gráfico apelativo, com ferramentas muito interessantes, que corria sobre outro sistema operativo chamado MS-DOS (ou equivalente). E para o instalar eram necessárias 5 disquetes (cada disquete levava no máximo 1,44 MB).

No meio das disquetes outras raridades apareceram, como o Excel 4.0 e o Word 4.0, cada um deles em meia-dúzia de disquetes, que se instalavam sobre o Windows 3.0. Para não falar dos jogos de MS-DOS que eram altamente viciantes na altura, que cabiam numa disquete e ainda sobrava espaço.

Bug do ano 2000

DSC00039

Quem não se lembra do advento apocalíptico para a informática que seria o ano 2000? As empresas gastaram fortunas a precaver-se contra um cataclisma que nunca aconteceu, devido à mudança da data de 99 para 00. Em 1999, a Microsoft lançou software gratuito para atualizar os seus pacotes de software principais (já estamos na época do  Windows 98/Me/NT/2000). Bastava ir ao site da Microsoft e preencher um formulário, que a própria enviava um CD todo bonito com o essencial para resolver o “problema” do ano 2000.

No meio de tanta tralha que se acumula ao longo do tempo, há sempre lugar a nostalgia com estes tesourinhos. Alguns estão agora guardados noutro local, para serem desenterrados daqui mais uns anos.

26 Novembro 2011

Limpar prateleiras

Há arrumações que são feitas muito de vez em quando, quando achamos que começamos a precisar de espaço num determinado armário, ou quando descobrimos algo tão antigo no fundo da gaveta que pensamos que está na hora de dar uma volta à coisa.

Foi o que aconteceu quando me pus a procurar um CD já antigo no armário do escritório, e me deparei com cerca de duas prateleiras cheias de antiguidades. Nessas antiguidades estavam muitos CDs, mas essencialmente, centenas de disquetes. Algumas, pela etiqueta, ainda vinham do tempo da escola secundária. Como nestes tempos modernos é difícil encontrar um computador com leitor de disquetes, a solução foi deitar tudo fora.

Após um dia inteiro de seleção do que era utilizável e o que não era, foram para o lixo 4 sacos de lixo cheios de disquetes e CDs. Arrisco-me a dizer que devem ter ido cerca de 20 Kg deste material. Mas como sou amigo do ambiente, tudo o que era plástico foi selecionado para o ecoponto amarelo.

No final do dia, ficaram duas prateleiras livres no armário, que podem ser usadas para acumular novo lixo, para novas limpezas daqui a uma década.

24 Novembro 2011

E o direito a ir trabalhar?

Hoje foi dia de Greve Geral. A terceira desde o 25 de Abril que uniu as duas grandes centrais sindicais do país. Curiosamente, ambas ligadas a partidos políticos. A CGTP, mais radical e sempre contra toda e qualquer política, boa ou má, tem um líder militante do PCP. A UGT, mais moderada, é liderada por um militante do PS. Estes líderes nunca fizeram mais nada na vida que ser sindicalistas. E quem os sustenta?

Tal como há o direito à greve previsto na Constituição, também há o direito ao trabalho, e essencialmente o direito a ir trabalhar em dia de greve. E por isso, acho completamente vergonhoso os piquetes de greve impedirem os trabalhadores das suas empresas de exercer o seu trabalho. Por inerência, quem não faz parte das empresas ou entidades (quase todas também lideradas por militantes de esquerda) que fazem greve, apanham na mesma moeda, e indiretamente são impedidos de ir trabalhar. Sem transportes, as pessoas não se conseguem deslocar para o local de trabalho, ainda mais nesta altura de “crise” em que já é difícil pagar o passe, quanto mais o táxi ou o combustível do carro.

Ao contrário dos manifestantes afectos aos partidos de esquerda, que são pagos para estar na greve, ou transportados gratuitamente para os locais de manifestação pelas câmaras municipais do Bloco de Esquerda ou do PCP, as pessoas que indiretamente não puderam exercer o seu direito e dever de trabalhar não são remuneradas pela falta. E isso ainda lhes vai custar mais no final do mês.

Não sou contra as greves. Acho que se deve exercer esse direito quando há razão para isso. Mas em todas as que já assisti desta dimensão não consigo descortinar qual a razão. Os sindicatos e as uniões sindicais devem existir para informar os trabalhadores dos seus direitos, mas esquecem-se de os informar dos seus deveres (tirando talvez o pagamento da quota mensal). Os deveres não podem ser só faltar ao trabalho quando se quer, e ser remunerado por isso.

Quem falta ao trabalho para fazer greve são quase sempre os mesmos. Quem bate com o couro todos os dias continua a fazê-lo para suprimir as faltas e a constante inércia dos habituais grevistas. Que para esses, é mais fácil ir para a Assembleia da República causar distúrbios com o grelhador das febras e o garrafão de vinho às costas, do que estar no trabalho a produzir valor. Coisa que habitualmente já não fazem.

19 Novembro 2011

Cultura Geral e Religião

No seguimento do post anterior, e se viram o vídeo da reportagem, verificam que as desculpas dos energúmenos dos estudantes são quase sempre baseadas no mesmo: Política não é comigo, Literatura não é comigo, Cultura Geral (?) não é comigo, e a que mais me impressionou, religião não é comigo.

E esta deixa da religião impressionou-me porque a pergunta era sobre o autor do livro “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. E bastou para que ouvissem Jesus Cristo para automaticamente associarem a religião. A pergunta até era de Literatura, eventualmente enquadrada em Cultura Portuguesa, mas associaram à religião.

Não sei se os jovens de hoje querem parecer modernos e como tal rejeitam à partida algo que lhes lembre religião, seja ela qual for. Mas para não gostarem é porque já tiveram alguma experiência religiosa. Porque isto dizer que não sou religioso não pode ser apenas uma ideia de esque"rda vanguardista e inútil, só para ser “diferente, cool, fixe, e dá cá um charro que a gente quer é peace and love, e a Igreja é a raiz de todos os males”.

Gostava de ouvir as explicações destes jovens sobre o porquê de não serem religiosos. Aposto que são todas elas explicações sem sentido. No entanto, mesmo o facto de não o serem, não invalida que conheçam alguns momentos da vida de Jesus Cristo, porque isso até faz parte da Cultura Geral (que também não é com estes jovens).

17 Novembro 2011

O resultado do facilitismo

Que a Casa dos Segredos é um programa de entretenimento já todos sabemos. Que os concorrentes não precisam de ser muito inteligentes também, desde que cumpram os objectivos do programa. Objectivos esses que não passam por resolver equações diferenciais nem descobrir a cura para o cancro. Passam sim por entreter, com aquilo que o público gosta. E o que mais gosta são bacoradas, futilidades e claro, sexo.

Mas o que me deixa mais surpreso é o facto de os jovens de hoje terem uma cultura geral/inteligência ao nível dos concorrentes da casa dos Segredos, como o mostrou a reportagem da revista Sábado, que podem ver no link abaixo.

Reportagem Sábado

É verdade que para a reportagem só escolheram os que realmente eram “interessantes”. Confio que estes não são a maior parte, aliás, quero confiar. Porque afinal de contas são estes os adultos de amanhã e fico arrepiado de pensar que no meu futuro terei jovens incultos e habituados ao facilitismo a governar os destinos do país.

São imaginativos nas respostas que dão, ou até nas desculpas. É o resultado do facilitismo que tem assolado a educação do país, em que todos tiram o 12º ano sem terem que se esforçar minimamente. Digam os meus amigos professores se é fácil chumbar alguém de ano. Claro que depois chegam à idade adulta e transformam-se no que a reportagem mostra. Devem ser especialistas em Morangos com Açúcar, conhecer 200 shots diferentes, e em pedir dinheiro aos papás para as noitadas. Medo…

02 Novembro 2011

Indignados

Estou confuso com os indignados. Não percebo muito bem o que eles pretendem. Nas notícias é vê-los a ocupar Wall Street, sedes de bancos, ou ruas onde se localizam grandes empresas. Até em Portugal resolvem tentar acampar em frente à Assembleia da República.

A sensação que me dá é que na sua maioria são jovens que não têm trabalho nem se esforçam para o ter, e por isso têm tempo para manifestações desta índole. Tiraram cursos superiores que dão automaticamente direito a desemprego, do género “estudos para a paz”, por isso se têm que estar indignados é com eles mesmo por terem escolhido essa formação. Queixam-se da precariedade, mas fumam os charros e bebem as bejecas que não devem ser de borla. E passam a manifestação a descansar enquanto nós, os verdadeiros indignados com toda esta corja, nos matamos a trabalhar para ao fim do mês ainda termos dinheiro para comer.

30 Outubro 2011

Piódão, essa aldeia de xisto

Bem no centro de Portugal está aquela que é considerada por muitos como a aldeia mais típica de Portugal. Pelo seu ambiente acolhedor, pelas suas casas rústicas em pedra de xisto escura, pela envolvência na serra do Açor, ou por qualquer outra razão. O facto é que quem lá vai não fica indiferente, nem sequer às curvas que tem de fazer para lá chegar. Os ares da serra rodeiam-nos, e os aromas da terra também, juntamente com as comidas tradicionais, e tradicionalmente preparadas. As pessoas são simpáticas, se bem que um pouco melgas quando se trata de vender aos turistas, que enchem a praça principal durante todo o fim de semana. É ver os autocarros a chegar e a partir constantemente.

Piodao (10)

Piodao (2)

No Outono, os castanheiros enchem-se de castanhas e enfeitam a estrada com as suas cores amareladas. E havendo tempo para isso, nada como parar o carro na berma e encher um saco de castanhas acabadinhas de apanhar. Confesso que nunca o tinha feito, mas aprendi a técnica de abrir ouriços bastante rápido. E no final do dia, partilhar as castanhas assadas com a família, acompanhados pelo calor da lareira.

Piodao (30)

Piodao (41)

27 Outubro 2011

O Outono…

…chegou tarde, mas veio com toda a pujança. Não só pela abrupta descida de temperatura de um dia para o outro, mas porque nos brindou com uma chuva que Deus a dava durante este dia. Não obstante o tempo horrível, causador dos habituais problemas de trânsito, o Outono já causou inundações, destruições, desabamentos e outras desgraças que são comparadas apenas à crise Europeia que se discute por estes dias.

Parece que o tempo se adapta perfeitamente às nuvens negras da economia.

08 Outubro 2011

Outubro, esse mês de Verão

E parece que o Verão, ao contrário daquilo que sempre nos explicaram na escola, começou no dia 23 de Setembro, no equinócio de Verão. Pelo menos é o que parece, pois desde essa altura que as temperaturas andam agradáveis, e o sol não se cansa de nos iluminar.

É um facto que as coisas andam um pouco ao contrário. Se em Agosto fomos brindados com chuva e frio, onde não se viram os corpos desnudados em biquínis nas praias, em Outubro, quando a roupa mais fresca já devia estar arrumada no canto do armário e devíamos ter tirado o mofo à roupa de manga comprida, o Verão resolve aparecer.

E parece que é coisa simples, mas já tenho ouvido pessoas a dizer que já estão fartos de sol, que o frio tem de chegar, já que está na hora de ir às lojas ver a roupa de Inverno, o que com este tempo não dá vontade nenhuma. Mas estas pessoas nunca estão satisfeitas com o que têm?

Se está sol, querem frio, se está chuva, estão fartos, se está frio, querem calor, se está calor, não se aguenta. Enfim, não sabem aproveitar o que a Natureza lhes dá. E depois admiram-se de andarem sempre rezingonas e tristes…